Meu primeiro amor 
 Rogério A. Barbosa

Rogério
Andrade Barbosa
Meu primeiro amor

il. Rosinha Campos
DCL, 2008 - 24 pp.

Tem livro que a gente lê com oito anos de idade e, ao reler – dez, vinte ou quarenta anos depois – descobre nas entrelinhas novas intenções, novos significados, novas emoções. Tem livro que se indica para o ensino fundamental, mas a gente lê com prazer na faculdade. Tem livro que foi pensado para adultos, e mesmo assim sua leitura enriquece um leitor jovem. A verdade é que uma boa história não tem indicação de faixa etária, não tem limites, não tem fronteiras de idade, nacionalidade ou situação regional. É boa e pronto.

É o caso desta história, escrita (ou, segundo o autor, recontada) por Rogério Andrade Barbosa e ilustrada com a sensibilidade de Rosinha Campos. Meu primeiro amor fala do reencontro de duas crianças que se amaram na infância e mantiveram sua paixão em segredo – por timidez, por medo, por qualquer dessas razões imponderáveis que nos prendem, em certos momentos da vida, e nos impedem de revelar o que se passa no fundo da nossa alma.

A história é desvendada aos poucos nos bilhetinhos dos dois personagens, que as páginas espelham: meninos de um lado, meninas do outro – como era nos colégios, não faz tanto tempo... Um não desconfia dos sentimentos do outro, e mesmo assim encontramos neles a mesma adorável (e dolorida) paixão, com toda a espontaneidade da infância e a sabedoria da maturidade.

As suaves aquarelas de Rosinha, com os contornos delicadamente trabalhados a lápis num traço solto e fluido, recriam um tempo passado, nostálgico – mas que ao mesmo tempo parece retratar o hoje, o agora: é que certas emoções não têm idade, e aquilo que as personagens da história passaram há sessenta anos refletem o que acontece às crianças e aos jovens de hoje. O que, provavelmente, continuará acontecendo aos jovens apaixonados de todas as idades e de todos os tempos.

Este é um livro que vai agradar leitores de oito anos, doze, quatorze, vinte e cinco, trinta, cinqüenta ou setenta anos. Vai despertar, em cada um, recordações de amores passados e, quem sabe, presentes. Já teve o condão de reunir duas pessoas que estavam separadas havia décadas, e é muito provável que reúna ainda outros corações, como só uma boa história é capaz de fazer.


Ciclo de leituras e resenhas promovido pela Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil.


Resenha
de Rosana Rios
AEI-LIJ/SP

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