A chave do corsário 
 Eliana Martins



Eliana Martins
A chave do corsário

il. Hector Gómez
Ática, 2007
128 pp.


Obra indicada ao Jabuti 2008
na categoria juvenil,
A Chave do Corsário é um livro dois-em-um, no melhor sentido do termo. Eliana Martins consegue a proeza de passar informações históricas superinteressantes (no caso, sobre a cidade de Niterói-RJ) numa obra que prende a atenção o tempo todo. A alternância entre os capítulos - um deles falando de uma aventura acontecida no passado remoto, e o imediatamente seguinte falando de uma aventura vivida no presente - faz com que o leitor não consiga parar de ler o livro.
Eu mesma li de uma tacada só.

De um lado desse criativo túnel do tempo,
estão os corsários franceses Gaston de La Salle e Jean Duclerc (personagens históricos reais), tendo na outra ponta os surfistas Joni e Felipe, adolescentes contemporâneos.
O mais legal é que tanto os primeiros quanto os segundos vão se movimentar, nas páginas do livro, pelos mesmos fascinantes cenários - como a Fortaleza de Santa Cruz da Barra, na entrada da Baía de Guanabara, e o Caminho Niemeyer, na orla de Niterói - com uma diferença de cerca de dois séculos, mas suas histórias vão acabar se cruzando de forma surpreendente e lúdica.

Um medalhão de ouro encontrado pelo surfista Joni numa ilha pedregosa onde ele vai parar depois de um “acidente de percurso” (ele é levado para alto-mar pela enorme onda que tentava surfar) é a mágica ligação entre passado e presente. E funciona para o leitor como o passaporte que garante muitas idas e vindas entre os séculos XIX e XXI, na companhia de personagens tão bacanas como os corsários e os surfistas já citados, além de outros de grande importância na trama como os pais de Joni, Murilo e Helena, seu avô Edebrando, seu padrasto Alain, sua madrasta Laís, o francês Trouain, e... por último mas não menos importante, a estagiária de arqueologia Angélica, que vai embarcar na mesma aventura.

Melhor que tudo, a jornada de nosso herói Joni cumpre sua função de transformá-lo: ele passa a entender (e a se entender) melhor (com) seu pai, finalmente compreende o quanto é amado por toda a sua família e acaba vivendo com Angélica sua primeira, comovente e delicada história de amor. Ou seja: Eliana Martins acerta todas!


Ciclo de leituras e resenhas promovido pela Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil.


Resenha
de Laura Bergallo
AEI-LIJ/RJ

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