Leo Cunha Sorte grande il. Junião FTD, 2007 64 pp. O texto leve e bem-humorado de Leo Cunha, permeado de referências a filmes clássicos policiais, tece a trama de SORTE GRANDE. Dante, um jovem larápio de boa família, metido a esperto, bola um plano perfeito para curtir o resto da vida de pernas pro ar em algum paraíso tropical: O Golpe da Visão. Ele, para sua frustração, mora no Brasil, o país perfeito para fugir, conforme o exemplo de tantos ladrões internacionais. Nem todos sonham em vencer por vias escusas. O desejo de Waldomiro, um rapaz pobre, porém honesto, é ganhar na loteca e casar com Das Dores, uma empregada hilária. E a fantasia da moça, que trabalha na casa da ricaça Lucrécia, é proporcionar uma noite de amor inesquecível ao seu namorado, com direito a um sensual banho de espuma, aproveitando-se da ausência da patroa. Só que um agourento gato preto, símbolo da má sorte, aparece para embolar ainda mais a história. Sem falar em um bilhete premiado, capaz de transformar o ferrado de hoje no milionário de amanhã. Sorte e azar caminham de mãos juntas ao longo do texto, em meio a trapalhadas gerais, num ritmo alucinante. O casal, ingênuo e apaixonado, é a pedra no caminho do aprendiz de criminoso. E vice-versa. Os sonhos antagônicos de mudar de vida, idealizados por Dante e Waldomiro, só se concretizarão quando a eterna luta entre o bem e o mal chegar ao seu final. Quem vencerá? O leitor atento perceberá que Leo Cunha, um dos mais premiados escritores de literatura infantil e juvenil brasileira, é daqueles cinéfilos de carteirinha, fazendo jus ao seu doutorado em cinema. O texto, delicioso, flui como o roteiro de um filme policial, acompanhando o ponto de vista dos personagens, através de cortes rápidos e precisos da “câmera” do autor. Uma das passagens mais engraçadas do livro, em alusão ao provável suicídio do gato, remete a um fato que dizem ter acontecido com o bichinho de estimação de um famoso cantor e compositor da música popular. Leo não dá nome aos bois, mas as pistas levam a João Gilberto. Será? Pena que a história seja no formato de um curta-metragem, deixando no leitor um gostinho de quero mais. Mas, não é assim que terminam os filmes policiais? |
| |||
|