O menino<BR>O cachorro 
 Simone Bibian


Simone Bibian
O menino
O cachorro


il. Mariana Massarani
Manati, 2006
36 pp.


O livro de Simone Bibian e Mariana Massarani tem um formato original e lúdico. Em princípio, pode-se ponderar que há dois títulos que se entrelaçam na primeira e na quarta capa. “O menino. O cachorro” ou “O cachorro. O menino”: duas histórias importantes, que não sei dizer qual é a primeira e qual é a segunda, pois são igualmente valorosas. As duas histórias trazem como temas principais a falta que gera um sonho, conseguir um amigo, aquele amigo almejado... Tanto o menino quanto o cachorro nascem em casas distintas, recebem variados brinquedos, porém esses passatempos não lhes bastam, pois o menino quer demais um cachorro, assim como o cachorro quer como nunca um menino.

Ambos efetivam tentativas frustradas para conseguir o seu objeto de desejo, o que demonstra bravura e sabedoria. A força de vontade e a persistência levam à realização do intento, nesse caso o encontro entre dois amigos: o cachorro e o menino. Encontram alguém que leia os seus sonhos e compreenda o verdadeiro desejo de ambos. Compreender ao ler nos olhos significa entender por via do amor, ou seja, abrir mão de atitudes e modos de pensar arraigados em prol da felicidade do ser que se ama: isso significa cuidar.

O início da leitura dos dois contos nos leva a pensar no final feliz dos Contos de Fada. No entanto, ao chegar ao que pensamos ser o final da primeira história, percebemos aquele algo mais que nos faz buscar o outro lado da história. Assim, viramos o livro de cabeça para baixo e, no avesso de um conto, recebemos outro conto que também não tem um final. Isso porque os dois contos se integram em uma forma circular, ou seja, um fim que não é fim, e sim um início. Tanto o mundo de palavras como o mundo de imagens enunciadas sugerem um abraço: as duas personagens principais dos dois textos, de braços abertos, se amalgamam em um texto circular que instiga o leitor e abre um leque de perspectivas reais. Cada um vai poder contar a terceira história. A palavra fim, seguida de um sinal de interrogação (?) evoca e renova os dois textos enunciados.

A contracapa e a terceira capa se desdobram em duas páginas com texto escrito e ilustrativo, em forma circular que enunciam, antes de cada texto, a mensagem neles inseridos. Podemos dizer que, frente, verso e meio do livro delimitam o encontro do menino com o cachorro, e do cachorro com o menino, numa roda que enreda o leitor para a criatividade de novos “felizes para sempre”. Dito de outra forma, neste livro as capas se confundem no espaço onde não há a ultima página, dado que nele o fim é sempre o limiar: fim significa começo. Assim a inversão do lugar comum delimita um início sem fim, que parece ter saído de uma caixa debaixo da Árvore de Natal.


Ciclo de leituras e resenhas promovido pela Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil.


Resenha
de Diléa Pires
AEI-LIJ/BH

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