Thais Linhares 
 O Monge e o Macaco



Thais Linhares
O Monge e o Macaco

il. da autora
Ygarapé Editorial, 2007
40 pp.


Se eu contar ninguém acredita. Mas vou contar mesmo assim. A Thais me escreve dizendo que o livro não está pronto ainda para me enviar, para que eu faça a resenha. O tempo corre, existe uma data limite. Pede-me calma e se explica. Eu respondo a ela que estou ZEN, que nem vi o tempo passar, que posso esperar, e que estando ZEN assim, estaria no momento propício, pirada de tão inspirada. E a gente sabe o quanto prazos apertados nos deixam malucos. Mas enfim, permaneci ZEN até o livro chegar. Dei um pulo daqueles saindo do meu estado contemplativo e tranqüilo ao abrir o pacote e dar de cara com O Monge e o Macaco – três belas histórias ZEN-budistas contadas pela arte e pelas palavras de Thais Linhares, Ygarapé Editorial.

A cor vibrante do laranja na capa já causa um impacto, é uma cor que atrai qualquer olhar, é como se tivesse vida-própria, é como se brilhasse sozinha. E o círculo branco dando um suave movimento rotativo, quase que sugerindo uma espiral, abriga um macaco e um monge, que flutuam e giram suave e harmoniosamente, parecem mesmo brincar com a lei da gravidade e com uma sincrônica coreografia de dois seres sugerindo serem parte um do outro e ambos parte de tudo.

Para quem já conhece o belíssimo desenho, rico em detalhes, luz e sombra, tão bem organizado de Thais Linhares, terá também uma grata surpresa com O Monge e o Macaco.

São histórias para pensar. Conduzem a um questionamento interior, uma reflexão. Mas é nas imagens que Thais atinge a máxima ZEN: dizer tudo no simples. O máximo no mínimo. O pingo preciso no mar de traços e letras.

As ilustrações são capazes de carimbar na retina do leitor o impacto de sua forma. As formas puras e marcantes pelo traço e pela cor, que podem ser vistas até uma certa distância e evidenciando a expressão das personagens e situações. A expressão, por sua vez, em poucos traços é capaz de traduzir o clima da história, a personalidade e o sentimento vivido por cada personagem, proporcionando ao leitor uma fixação da imagem e sua relação objetiva com o texto.

Mas o livro não pára por aí. Não sei se dou uma de estraga-prazeres aqui, mas também não posso deixar de comentar que o final reserva páginas deliciosas de diversos estudos realizados no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. São belíssimos croquis do seu muso inspirador: o macaco, em traços a lápis e algumas anotações, como se fosse uma espécie de diário de bordo da criação. É aqui, nessas páginas, que dá pra saborear a matéria-prima que deu origem à singela e profunda obra O Monge e o Macaco, histórias para serem carregadas pra sempre dentro da gente.

Como não ficar ZEN diante desse livro? E como não ficar ZEN ao saborear mangas maduras, bem doces e suculentas?


Ciclo de leituras e resenhas promovido pela Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil.


Resenha
de Márcia Széliga
AEI-LIJ/PR

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