Maurício Veneza Paulinas, 2003 16 pp. Sobre um fundo negro (a cor do mistério) um par de olhos nos lança a questão: Onde estou? Virada a página, deparamo-nos com o protagonista desta busca, um simpático coelho branco. Ele olha ao redor de si, coça o queixo, intrigado. “Que lugar é esse?”, é a pergunta que ocupa seus pensamentos. No correr das páginas, personagens no mínimo fantásticos surgem. Só que, ao invés de ajudar o perdido coelho, eles o deixam ainda mais intrigado. De modo sutil e sagaz, o autor já nos fornece as pistas que irão… (devo já entregar?) …solucionar a charada. A narrativa é bem humorada, mas nada superficial. “Onde estou?” é uma questão que trás de carona a “quem sou eu?” e “para onde irei?”. É um bocado de reflexão para o jovem leitor, numa obra que se abre para múltiplas leituras. A solução visual escolhida sobrepõe a imagem ao texto que, resumido ao que é essencial, se fortalece. Maurício Veneza, um grande autor de texto e de imagens, utiliza-se com maestria dos recursos visuais (o próprio objeto livro se integra à narrativa, formando o ambiente, e se tornando parte do mistério). Seu coelho tem algo do sorriso das crianças, com formas orgânicas, capaz de criar uma perfeita identificação entre leitor e personagem. O coelho é a criança curiosa e é também a curiosidade inerente a todo ser. A favor desta linguagem, o autor utilizou guache sobre papel texturizado, o que resultou em pinceladas aveludadas. Há ainda o recurso genial para os personagens das cartas de baralho. Um bom ilustrador é, antes de tudo, um autor que domine a linguagem das formas e cores para contar (bem) uma história. Se o livro é uma porta para outros mundos, o livro Que lugar é este? é um exemplo perfeito (e visual) disto. Uma janela cuja paisagem escura mais revela do que oculta. |
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