Luiz Antonio Aguiar Aleijado il. Jan Limpens Ática, 2006 128 pp. Na capa, um garoto na cadeira de rodas no alto de uma escada. No título, um termo dado como politicamente incorreto. No subtítulo, a explicação: “aventuras de um garotão em luta contra escadas, buracos e outras desconsiderações do mundo”. Assim somos apresentados ao problema de Fred, 16 anos, imobilizado por conta de sua própria estupidez. Revoltado e ilhado em si mesmo por não poder usar os pés, ele se sente ainda mais aleijado ao tentar dar uma volta em sua cadeira de rodas, e não conseguir porque seu prédio não tem nem mesmo rampa de acesso. E este é apenas um dos detestáveis empecilhos que é forçado a tentar contornar, alguns com grande insucesso. O tema que a obra de Aguiar aborda é válido e consistente, tanto para a leitura prazerosa, quanto para uma atividade escolar. Como o próprio Fred antes do acidente, as pessoas se tornam cegas e insensíveis aos deficientes físicos, até serem obrigadas a se deparar com o problema, ou por sua própria pele, ou por conta de algum amigo, parente ou colega próximo. A situação de Fred expõe o leitor saudável a diversas coisas de que muitas vezes não tem noção, por não viver o problema: de que não adiantam palavras politicamente corretas sem ações politicamente corretas; de que nos prostramos inertes diante do desleixo alheio, incluindo o nosso próprio, e isso emperra um melhor andamento da sociedade; de que ser cidadão é ser participativo; de que nos isolarmos um pouco do auê cotidiano é saudável para ajustarmos nossos pensamentos e juízos de valor, mas que o isolamento exagerado, por medo de enfrentar dificuldades é nocivo; e de que não estamos nunca sozinhos, pois temos amigos, mesmo que nos magoem; a família, ainda que nos chateie; e livros, que têm o intrigante poder de nos transportar do total tédio à fascinante identificação e apoio, conforme nosso estado de espírito na ocasião da(s) (re)leitura(s). Além da qualidade temática, cuja transversalidade atravessa as discussões sobre o social, o ético, o moral, o medicinal (biológico), e o lingüístico-literário, todas pertinentes a disciplinas escolares, o viés artístico, visível já na forma dos capítulos, é também atraente. Sua linguagem fluida, enfática e passional cativa o leitor adolescente. É um bom exemplo de literatura de entretenimento infanto-juvenil recente, que reflete tanto a idéia da ética como um fazer político, quanto a questão da discriminação por meio da cegueira do comodismo. |
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