Daniel Munduruku As serpentes que roubaram a noite e outros mitos il. crianças Munduruku da aldeia Katõ Peirópolis, 2001 56 pp.
Em As serpentes que rouba-ram a noite e outros mitos, Daniel compartilha com seus leitores relatos que os velhos do povo Munduruku transmitem de forma oral aos mais jovens. Histórias que contam a origem de tudo e que, segundo Daniel, são reais e se passaram num tempo imemorial. Narrado em tom de conversa, entremeia os próprios mitos - “A origem dos Munduruku”; “Quando mandavam as mulheres”; “Como surgiram os cães”; “As serpentes que roubaram a noite”; “A morte da velha bruxa” - com o ambiente onde as histórias são contadas e os sentimentos das crianças ao ouvi-las. O leitor se faz parte do grupo de crianças a quem está sendo desvendada a sabedoria de seus ancestrais, num clima de sonho e magia. Fala de questões essenciais ao ser humano; a origem do universo, a origem dos povos, as relações de poder, o bem e o mal, o egoísmo. Encontramos elementos familiares a contos, como em “A morte da velha bruxa”. Um casal de irmãos é deixado na floresta pelos pais, por causa da escassez de alimentos. Assim como no conto da tradição oral João e Maria, coletado pelos Irmãos Grimm, as crianças conseguem retornar da floresta uma vez, seguindo uma trilha de milho. Da segunda vez eles se perdem. Após passar a noite com medo e com fome, encontram uma maloca onde vive uma velha cega. Passam a viver com ela até que são alertados, por um pássaro, sobre sua intenção em queimá-los. Seguem o conselho e atiram-na no fogo. Imediatamente os olhos da bruxa saltam e transformam-se em dois cães ferozes, que são amansados
Ao final são apresentadas algumas informações sobre o povo Munduruku: onde vivem, como é a vida nas aldeias, brincadeiras e jogos dos mais novos e como aprendem. É apresentada também uma relação de livros e sítios onde mais informações sobre o povo Munduruku e os povos indígenas brasileiros podem ser obtidas. Ilustrado por crianças de uma aldeia Munduruku, os animais e indígenas, desenhados em preto e coloridos à mão, não destoam do texto. |