O segredo da chuva 
 Daniel Munduruku

Amor às raízes
Comentários de
Filomena Silman



Daniel Munduruku
O segredo da chuva

il. Marilda Castanha
Ática, 2004
62 pp.


Daniel Munduruku, considerado um marco da cultura indígena, nasceu em Belém (PA) e, com raízes na Amazônia, se orgulha de ser indígena e de seu povo. Atualmente, vive entre as cidades grandes e as aldeias indígenas. Formou-se em Filosofia, se aperfeiçoou em Antropologia, Psicologia, História e, junto com outros nativos, criou o Instituto Indígena Brasileiro de Propriedade Intelectual (INBRAPI).

Daniel, preocupado com a formação do povo brasileiro, que ao longo dos anos poderá desconhecer a cultura oral dos nativos, registra sua arte, seus mitos, tradições, brincadeiras, contradições e costumes. Seu texto preserva a cultura dos povos primitivos brasileiros.

O livro O segredo da chuva traz algumas combinações de sons e pensamentos, sob a forma figurada e alegórica de fatos naturais, inspiradas no povo Munduruku do Pará. O leitor poderá se envolver de uma maneira agradável com os mistérios, os suspenses, os fenômenos da natureza, nas aventuras fantasiosas trazidas pelos ancestrais. A narrativa certamente despertará no leitor a possibilidade de valorizar o companheirismo e transmissão de saberes milenares.


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As ilustrações coloridas estão em harmonia com o texto, permitindo a quem lê navegar nas cores, nas paisagens da natureza, na pintura corporal dos nativos e na sua forma peculiar de vida. As crianças-indígenas são orientadas por seus responsáveis a procurar o pajé, para obter dele um melhor esclarecimento acerca dos seus conflitos pessoais. Há uma ilustração, na página doze, na qual podemos sentir que cada indígena carrega o seu povo dentro do peito. Vibram as emoções em respeito aos ancestrais e à comunidade. No sol, um pajé sentado no seu trono, representando o tempo atual e os anteriores, iluminado pelos ancestrais, irradia calor humano e palavras sábias às crianças e adultos. Os indígenas presentes os cercam para ouvir o que ele tem a dizer e torcem para que Lua, menino interessado no bem comum, aprenda os mistérios de como fazer chover.

Os desenhos traduzem o meio ambiente dos nativos e o momento especial da vida de Lua, personagem que aprendeu que, para fazer chover precisa ser forte, paciente, corajoso, saber ouvir os sons da MÃE-NATUREZA.

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