Daniel Munduruku Contos indígenas brasileiros il. Rogério Borges Global, 2005 64 pp.
Na década de 1980, os irmãos Cláudio e Orlando Villas Bôas, estudiosos da civilização indígena do Xingu, no Brasil Central, recolheram histórias da tradição oral dessas comunidades e organizaram uma coleção de livros com contos e lendas de sua cultura, que foi publicada pela editora Kuarup. Escrever suas histórias era mais uma forma de chamar a atenção para a existência dos diversos povos e para as condições em que viviam no nosso (seu) país. Na década de 1990, Daniel Munduruku, que adota o nome de sua etnia, surge como escritor e pensador; começa a desenvolver trabalhos que se tornam reconhecidos no Brasil e no exterior. Passa a produzir textos infantis em conformidade com os meios e códigos indígenas, com o objetivo de, através da escrita, também despertar discussões sobre as condições de vida das diversas populações remanescentes no país. Em 2004, já com a preocupação de apresentar os povos indígenas situando-os, diferenciando-os e respeitando-os, sem fazer generalizações como era o costume na literatura existente, Daniel escreve o livro Contos indígenas brasileiros, em que organiza mitos de povos distintos, para mostrar suas diferentes crenças e tradições. Esses mitos foram selecionados a partir de critérios lingüísticos, sendo dois deles do tronco Tupi, o mito Munduruku e o Guarani; dois do tronco Macro-Jê, o Kaigang e o Karajá, e quatro outros de famílias lingüísticas isoladas: o Nambikwara, da família Nanambikwara; o Terena, da família Aruak; o Tukano, de família própria, e o Taulipang, da família Karib. São oito povos — oito mitos, nos quais a figura do velho sábio aparece como o transmissor da história pelo uso da palavra.
Sulami Katy com Heloisa Prieto e Daniel Munduruku Meu lugar no mundo il. Fernando Vilela Ática, 2004 64 pp. Seguindo os passos de Daniel Munduruku, Sulami Katy, criada numa aldeia potiguara situada no litoral da Paraíba, inicia-se também na literatura com o livro Meu lugar no mundo. Sulami considera a escrita como o grande aprendizado fora de seus costumes e vê o livro como o elo entre os mundos, valorizando, mais uma vez, a percepção da palavra e da leitura. Nesse livro, a autora descreve sua trajetória entre a aldeia potiguara e a vida na cidade. São 30 anos de sincretismo cultural e social, nos quais sua vivência na aldeia já está mesclada com a educação em escolas públicas de língua portuguesa. Ela observa: “os mais velhos ainda se lembram das histórias contadas por nossos antepassados e dizem assim: ‘Nós éramos muitos, mas conhecíamos pouco, por isso hoje estamos em menor número, mas agora conhecemos muito mais’. “ Para organizar a história, Sulami contou com a colaboração de Heloisa Prieto que, além de escritora com diversos livros publicados e vários prêmios na categoria infantil, é também doutora em literatura pela Universidade de São Paulo e tem, na literatura de tradição oral, a base de sua formação. Meu lugar no mundo conta também com a colaboração de Daniel Munduruku que discorre sobre a identidade indígena no mundo globalizado.
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