Daniel Munduruku A palavra do Grande Chefe il. Maurício Negro Global, 2008 32 pp.
Trata-se de uma adaptação livre, poética e ilustrada do discurso do Chefe Seattle. Esse famoso pronunciamento veio a público somente em 1887, na versão do médico e especialista em línguas indígenas, Henry Smith. Foi posteriormente publicado no jornal Seattle Star e várias outras versões sucederam-se exaustivamente ao longo de décadas. As ilustrações ganham grande destaque nas mãos de Mauricio Negro. A Palavra do Grande Chefe retrata o encantamento de Daniel Munduruku pelo conhecido discurso do Chefe Seattle. Daniel Munduruku, um escritor de origem indígena, nasceu e se criou em Belém, tendo se mudado posteriormente para Manaus e São Paulo, onde completou seus estudos. A obra realmente sensibiliza. É uma ode de respeito à natureza e ao caráter da nação indígena. Uma visão de como um lugar preservado, intocado, pode ser transformado ao cair nas mãos consumistas do homem branco. O discurso se opõe à proposta de troca do habitat natural do povo indígena por uma reserva pré-determinada e limitada. Troca essa que nada mais é do que uma compra documentada e comprovada por títulos, papéis e moeda. Coisas que pouco ou nada significam para a nação indígena, pois os nativos comem o que caçam e pescam, vestem-se de pinturas sobre o corpo, extraídas de pigmentos de frutos ou folhas, além de usarem a pele de animais mortos naturalmente ou abatidos para consumo. Temem pelo olhar de ganância, pelo olhar descrente do homem branco para um lugar sagrado e gratuitamente oferecido pela Mãe Terra.
Chefe Seattle usa um linguajar calmo e emocionado, mostrando uma personalidade forte, certeza de seus pontos de vista, crença absoluta em seus princípios. Emociona também no respeito à natureza e a seus pares, quando dispensa documentos e dinheiro, e especialmente na valorização da vida humana e da mãe terra. A palavra é sua honra, e isto lhe basta. Daniel Munduruku entremeia o discurso com observações próprias, sempre mostrando total apoio e encantamento. O livro é magistralmente ilustrado por Mauricio Negro, em técnica mista, de grande impacto. O artista mostra uma força de linguagem, numa multiplicidade de materiais, sem uma poética rígida, mas com abundância de brilhantismo e beleza de total deslumbramento. Como um todo, é uma obra visualmente maravilhosa e um alento para o coração. |