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Ideais Indígenas
Comentários de
Mariucha Rocha
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Pequeno catálogo literário de obras de autores indígenas
coord. Daniel Munduruku
capa: Maurício Negro
il. Justino Tuyuka
Global, 2008
32 pp.
A publicação de um catálogo de obras de autores indígenas é fruto da aceleração do movimento de resgate de suas tradições culturais e de seus direitos. Pensadores e estudiosos se organizam, saem à frente e criam o que seria um guia orientador da produção literária indígena.
Como introdução ao catálogo, os autores apresentam o relato de suas experiências iniciadas em 2004, no I Encontro Nacional de Escritores Indígenas. Este encontro foi realizado no 6º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no Rio de Janeiro, tendo como tema central “o direito autoral e a proteção dos conhecimentos tradicionais”. Nesse encontro, foi criado o Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas — Nearin e, após dois dias de debates, ficou sacramentada, entre outras, a luta contra a classificação de suas histórias como de domínio público. Era a formalização da defesa de suas tradições para a valorização de sua autoestima. Este núcleo de ação está ligado a ONG INBRAPI - Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, cuja diretoria é composta por atuantes indígenas de diferentes povos, tendo como presidente o escritor Daniel Munduruku.
Em encontros subsequentes do Salão FNLIJ, um dos pontos em discussão foi a “questão do direito à leitura e o acesso à literatura de qualidade nos territórios indígenas bem como a criação de políticas públicas que atendam a esse direito humano inalienável”. Este é, sem dúvida, um ponto que pode ser reivindicado em vários segmentos de nossa sociedade. É uma luta também por melhores condições de educação.
Uma segunda discussão proposta — a instalação de bibliotecas em aldeias indígenas — é considerada uma “questão espinhosa, já que pode apresentar alguns perigos para suas culturas tradicionais como o embate entre cultura letrada e a tradição oral; o aporte ideológico trazido pelos livros...” Nesse ponto, parece-nos que a aceitação da cultura diferente deve ser recíproca, pois o conhecimento literário precisa ser intercambiado para se atingir a unidade de nação e para haver o reconhecimento do outro.
O Catálogo, criado para expor suas publicações, faz uma classificação, em separado, de livros infantis e juvenis e de obras para o público adulto. As indicações estão apresentadas por autores, na forma tradicional de catálogos editoriais, com suas capas e sinopses. Trechos de alguns livros em temáticas variadas compõem as informações para adultos.
O bonito projeto gráfico é de Mauricio Negro e de Eduardo Okuno. A capa do catálogo é um detalhe de um cocar montado com penas, folhas secas e lápis, numa profusão de cores sugestiva de um sincretismo entre a arte encontrada na natureza e a que podemos criar com nossas mãos.
É uma obra informativa, divulgadora de seus trabalhos e de suas parcerias, com destaque para as editoras Callis e Brinque Book, pelo apoio ao Concurso Tamoios FNLIJ/IMBRAPI, e para a editora Global, que imprimiu o catálogo com produções vinculadas às mais variadas editoras. Eliane Potiguara, escritora e educadora indígena, escreve o que seria o posfácio do catálogo e observa que “...há de se situar a Literatura Indígena como um instrumento de conscientização, força e libertação.” E conclui “...Contem e criem então!”
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