Marie Sellier A África, meu pequeno Chaka... il. Marion Lessage trad. Rosa Freire d'Aguiar Companhia das Letrinhas, 2006 48 pp. Esta é uma edição em que a arte das palavras está perfeitamente conjugada com a arte visual. O livro conta com boa tradução do original em francês. As ilustrações são em nuances de tom ocre, complementadas por máscaras e esculturas que se encontram em museus de Paris. A impressão em papel de tonalidade sépia contribui para uma identificação da cultura africana.
O texto está estruturado de forma a que se perceba a importância da oralidade na transmissão das
informações culturais de um povo, característica marcante na cultura africana, assim como na cultura
indígena e nos contos e recontos de lendas e fábulas. É desenvolvido sob forma de pequenas histórias
narradas pelo avô, a partir da curiosidade de seu neto, o Chaka, que o admira e o vê como sendo “alto
como o Baobá e mais sábio que o Marabu”. As respostas dadas pelo avô deixam abertas portas para novas
perguntas, sugerindo continuidade. O avô, nas palavras da autora, discorre sobre sua ancestralidade, suas relações familiares e de amizade, que se mesclam com a cultura, hábitos, magias e mitos de seu povo. Sempre respondendo a perguntas da criança, o avô relata: “O início, meu pequeno Chaka, ah! foi há muito tempo! Bem antes de mim“. Reflete sobre a morte e conclui: “um dia, meu pequeno Chaka, também irei para o país onde o sol não se põe, o país dos ancestrais”. O sábio diz ao neto que este,
As reticências empregadas no título do livro parecem sugerir a infinidade de relatos que podemos ter sobre o continente africano, sobre a História. Como curiosidade, o livro tem os seus direitos reservados às Èditions de la Reunion des musées nationaux de Paris. E, como trabalho artístico, bem que o merece. |