Ângela Shelf Medearis Os sete novelos II: um conto de Kwanzaa il. Daniel Minter trad. Lílian Jenkino Cosac Naify, 2005 40 pp. A autora escreve uma fábula com influência da cultura africana, o que, junto às ilustrações do pintor e escultor Daniel Minter, resulta uma boa edição.
A história se passa numa aldeia do país de Gana, onde uma família com sete filhos órfãos de mãe vive
em desarmonia entre si, o que causa grande decepção ao pai. Quando morre o pai, o chefe da aldeia
administra a herança que foi deixada, sob condições: os filhos teriam que transformar sete novelos de
fios de seda em ouro, caso contrário perderiam os bens para os aldeões. Os irmãos fazem um acordo de
paz e, em conjunto, buscam soluções. Observam os hábitos do povo e conseguem criar e produzir um
tecido que desperta a atenção do tesoureiro do rei. Em troca do tecido, recebem uma sacola de ouro e,
com isso, a herança. O filho mais novo não se alegra, pois percebe que seu povo nada receberá. Como
solução, propõe que os aldeões sejam ensinados a tecer, para que também consigam transformar fios
em ouro. As imagens de Daniel Minter, com ênfase no vestuário, seus tecidos trançados e cores vivas, valorizam o texto com a adequação da técnica da xilogravura. Ao final do livro, a autora sugere uma atividade para se tecer fios ao estilo dos tecidos de Gana, usando com isso um dos sete princípios do Kwanzaa. O Kwanzaa é uma manifestação cultural criada em 1966, por Maulana Karenga, membro do Departamento de Estudos Negros da Universidade do Estado da Califórnia, com o propósito de unir os afro-americanos de sua comunidade. Esse evento está baseado em sete princípios, que deveriam ser memorizados e postos em prática não só durante os sete dias de comemoração do Kwanzaa, como também pelo resto do ano. Apesar de ser apresentado na introdução do livro como um feriado celebrado no mundo inteiro por pessoas de ascendência africana, essa manifestação cultural não tem expressão na comunidade negra brasileira.
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