Um passeio pela África 
 Alberto da Costa e Silva

Vamos passear
pela África?

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Emilia Machado


Alberto da Costa e Silva
Um passeio pela África

il. Rodrigo Rosa
Nova Fronteira, 2006
80 pp.


O autor, Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras - ABL, diplomata, poeta, ensaísta, memorialista e historiador, produziu vasta bibliografia sobre o Continente Africano e é referência intelectual para estudiosos da África no Brasil. Este livro, voltado para o público infantil e juvenil, é, portanto, bem vindo como referência segura para a grande quantidade de lançamentos editoriais advindos da Lei 10.639, que instituiu o ensino de história da África e cultura afro-brasileira nas escolas de Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Logo no início, a narrativa aponta para a grande chave da história, protagonizada por Inácio, Zezinha e Gustavo: a trajetória do passeio. Na construção simples de um relato de viagem, os três adolescentes, enquanto percorrem a África Atlântica e o Kenia, nos trazem informações em forma de diálogo. Com discreto distanciamento acadêmico, a narrativa acaba por nos revelar que a chegada de africanos significou uma importante contribuição civilizatória para a formação do Brasil.

Viagens ao exterior ajudam-nos a conhecer as influências da própria cultura e a olhar para a terra natal por uma perspectiva diferente. Em outras palavras, uma viagem ao exterior ajuda a abrir horizontes e educa. Atualmente, no entanto, em época de extreme games, desafio aos limites, interatividade e intensificação das identidades, como tornar essa assimilação cultural desejável? Costa e Silva acerta em cheio quando propõe aos três adolescentes um passeio pela África através de um audacioso roteiro.

As ilustrações de Rodrigo Rosa seguem o percurso da viagem, com uma proposta em técnica de pastel e cores vivas, que dão divertida expressão às personagens e à narrativa.


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A edição publicada não contribuiu para a valorização da obra. O livro não apresenta cuidado editorial com diagramação e acabamento, toma a guarda como folha de rosto, inicia sem prefácio, está com as margens muito reduzidas e pouco favorece as ilustrações, tanto na paginação quanto na escolha do papel.

Ao terminar a leitura da obra, procurei um mapa para marcar o trajeto dos personagens, tomando notas de todos os pontos de interesse. E, no final, o que fica é a certeza de que essa é uma viagem que vale a pena ser feita!

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