Adwoa Badoe Histórias de Ananse il. Baba Wagué Diakité trad. Marcelo Pen Edições SM, 2007 96 pp. A escritora Adwoa Badoe reconta as histórias que ouviu de sua mãe, em sua terra natal, Gana, sobre a aranha Ananse. Antes de cada um dos dez relatos, Baba Wague Diakite produz uma ilustração de página inteira, feita com cores vibrantes, que retrata Ananse num corpo de aranha, com rosto, mãos e pés humanos. Como aranha, tece, urde as coisas para alcançar um determinado objetivo, mas, como homem, mete os pés pelas mãos.
Na primeira história, Ananse é um fazendeiro que trabalha com seus filhos. Quando a produção de
alimentos escasseia, as reservas da família começam a desaparecer à noite. Quem estaria a roubá-las?
Ao cair na armadilha colocada pelos filhos para pegar o ladrão, Ananse sente-se extremamente
envergonhado. Então, corre para um canto, onde faz sua teia e esconde sua vergonha. Embora a tradição
de Ananse não tenha chegado ao Brasil, o boneco de piche, no qual a personagem ficou presa e foi
desmascarada, faz parte de nosso folclore. Na segunda narrativa, um dos filhos de Ananse desaparece durante uma grande estiagem. Quando Ananse perde as esperanças de encontrar seu filho com vida, este retorna e conta como conseguiu um pote mágico. Ele é pequeno, mas produz comida em abundância. Ananse vai ao local para conseguir um pote maior e mais precioso. Acha que vai se dar bem, porém, no final, sua ganância e malícia de nada lhe valem, e ele acaba humilhado. Volta a se esconder na sua teia num canto escuro. No terceiro relato, Ananse quer ser lembrado como o dono das histórias. Quando o rei sabe de sua pretensão, pede-lhe que prove sua bravura. Ananse consegue, com sua sagacidade, capturar com vida uma família inteira de abelhas, um gnomo e uma piton e, assim, é lembrado para sempre por aqueles que contam histórias. Em todas as outras narrativas, Ananse se mete em enrascadas, mas sempre encontra uma maneira de agir com astúcia e passar a perna em seu adversário.
No final do livro, há um mapa da África que destaca os países do lado Ocidental. Explica quem foi o povo axante, fala das personagens nas histórias contadas em Gana, e apresenta algumas tradições e costumes dos povos na costa oeste. No nosso folclore existe a figura de Pedro Malasartes, personagem tradicional de contos populares da Península Ibérica. Assim como Ananse, Malasartes é astuto, cheio das artimanhas, sedutor e cínico. |