O Rei Preto de Ouro Preto 
 Sylvia Orthof



Sylvia Orthof
O Rei Preto de Ouro Preto

il. Rogério Borges
Global, 2007
24 pp.


O livro trazido a público em 2007, ano em que se completavam
dez anos da morte de Sylvia, é uma edição cuidadosa. O texto é acompanhado de ilustrações de Rogério Borges, o que o diferencia dos muitos outros
da autora, em sua grande maioria, ilustrados por Tato,
seu marido. O artista emprega a arte digital, com gravuras
de impacto visual que bem complementam o texto,
agregando-lhe força.

Dentre as narrativas de Sylvia, este é o único trabalho publicado com temática histórica, o que, novamente,
o diferencia dos demais, sem perder suas características de humor, poesia e ludicidade. O relato se inicia com
o “Lembro e esqueço...” — talvez numa alusão à (não) memória de nossa história, e segue com o “Invento o que não sei”, para marcar a liberdade que a criação literária permite. O “Era uma vez...” é a partida para pincelar idéias, opiniões e relatos sobre a trajetória dos negros no Brasil.

Na figura lendária de Chico Rei, Sylvia estabelece
o elo da narrativa, desde o Continente Africano até a escravidão em Minas Gerais. A autora expressa sua opinião, em defesa da liberdade e igualdade entre os homens,
ao escrever “Se a história eu retorço, é porque
pro Chico Rei garanto que eu sempre torço!”

O texto dá cores ao Continente Negro: “ai que belas aquarelas” e também descreve seu povo genericamente, como “gente negra e valente, gente que dança e canta
no sorriso do contente”. Com a chegada dos veleiros, trazendo homens brancos e ferozes, Sylvia deixa fluir o seu humor ao dizer que, no susto, “As zebras corriam longe, perdiam suas listras na corrida! Você duvida?”

Fala da escravidão
“[...] prendeu os negros e o rei com correntes tão cruéis!”
e reflete sobre a Igreja — passiva ou ativa? —
“Iam ver o Chico Rei?... Os sinos diziam: não... sim...
sim... não... balalim de balalão! Sei não!”

Sei sim!
Seu texto é lírico, gostoso de ouvir, bom de repetir e ótimo para despertar discussões e opiniões nos pequenos.

Quem lembra
de Chico Rei?

Comentários de
Mariucha Rocha

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