Oxumarê, o  Arco-íris 
 Reginaldo Prandí



Reginaldo Prandí
Oxumarê, o Arco-íris

il. Pedro Rafael
Companhia das Letras, 2004
64 pp.


O livro Oxumarê, o Arco-Íris, de Reginaldo Prandí, reúne vários contos da cosmogonia do povo yorubá ou nagô. Os yorubás escravizados vieram para o Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro em sua maioria e, com eles, vieram seus costumes, suas crenças e seus deuses. Apesar de sua mitologia pouco conhecida, a cada página, a curiosidade aumenta, através de um texto instigante de fácil compreensão; a linguagem não-didática torna a obra leve e despretensiosa, ao mesmo tempo em que exerce uma função informativa, preocupação principal do autor.

O que se pôde observar é que, em todos os contos,
os orixás se comportam como os deuses gregos: com a mesma beleza, os mesmos encantamentos, as intrigas, os desejos, a luxúria, a ambiência. Muda apenas a geografia.
Os deuses gregos têm o Olimpo como residência e os deuses yorubás têm ora o firmamento, ora a terra. Isto porque os orixás são a personificação das forças da natureza, saídas das mãos de Oba Orum (Deus) com a missão de serem seus mensageiros entre os homens.

Há um conto, “A mulher que se transforma em búfalo”, que trata do amor de Ogum por Iansã que pode causar alguma estranheza, pois Iansã é conhecidamente mulher de Xangô. Isto fica claro nas músicas afro-brasileiras em que se enaltece o amor de ambos e se confirma no conto “A briga da velha senhora com o ferreiro”. Diferentemente, na cosmogonia grega onde Zeus e Hera são, de fato, um casal; e, apesar das constantes infidelidades de Zeus, Hera está sempre ao seu lado. Mas, retomando ao conto “A mulher que se transforma em búfalo”, pude constatar grandes semelhanças com o conto escocês “O gentil-homem de Wastness”. Ora, o que tem a mitologia yorubá com a Escócia? Tudo. Porque estamos falando de oralidade, não há fronteiras culturais e muito menos geográficas, o que há é memória e a necessidade de se manter viva a cultura dos povos, sejam africanos, europeus, asiáticos, enfim, não importa a origem.

Ao ler o conto “O dia em que o Arco-íris estancou a chuva” que faz alusão ao dilúvio, ao início de tudo assunto muito presente nos contos indígenas, vem confirmar o que há muito desconfiava. Somos filhos de um só útero, só variamos o modo que sentimos e olhamos para essa grande mãe.

As ilustrações de Pedro Rafael não interferem no texto, elas simbolizam cada orixá, ajudam o leitor a se familiarizar com eles. Os traços egípcios nos seus desenhos trazem elegância e sofisticação ao livro e a clareza ajuda a manter a leitura, cumprindo a função de informar.

Comentários de
Susana M. Fernandes

Oxumarê, o Arco-íris completa a trilogia Mitologia dos Orixás para Crianças e Jovens, iniciada com
Ifá, o Adivinho e Xangô, o Trovão.
São livros independentes que contam os principais mitos dos orixás pertencentes às tradições afro-brasileiras: Exu, Ogum, Oxossi, Nanâ, Omulu, Xangô, Obá, Iansã... Tudo isso hoje faz parte do patrimônio cultural brasileiro.
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