Joel Rufino dos Santos Gosto de África: histórias de lá e daqui il. Cláudia Scatamacchia 3.ed. Global, 2005 48 pp. Não importa o conto, o mito, a lenda, o reconto. Importam aqueles que viveram o conto, o mito e, mais ainda, aquele que registrou a história. História da conseqüência e da inconseqüência do berço da humanidade: a África. Joel Rufino dos Santos nos presenteia com sete histórias em que sublinha preconceitos de forma invertida, com inclusão, olhando com o olho de criança, natural e espontâneo. Uma narrativa rica de informações e sutilezas. Questiona e fala de temas como religião e Deus, em forma plural, pela voz dos personagens. Foge das definições, com o seu ponto de interrogação, dá à criança o seu momento de reflexão. Em “Filho de Luiza”, o autor introduz o leitor mirim na luta do negro na Bahia, por espaço e dignidade. Desperta curiosidade pela abolição, em seu enfoque histórico da revolução dos malês, iniciada em 1835. Uma rebelião que envolve escravos, libertos, senhores e quartéis. Em “Pérolas de Cadija”, narra a história de uma menina do Senegal. Como também em qualquer conto do Ocidente, o Oriente representa o estereótipo da madrasta, sempre algoz. A ausência do pai pela omissão, e transferência de poder à madrasta. E, como vítima, a filha pela perda da mãe. As pérolas simbolizam a generosidade de Cadija e a ganância da madrasta. O autor retrata o cotidiano através do lúdico, representado pelos monstros e anjos. Mas a persistência da menina a tira da condição de vítima, do destino traçado pela madrasta. E o coração pululando da madrasta, na panela de cuscuz, traduz a vida desperdiçada. Como em “João e Maria”, dos Irmãos Grimm, as pérolas, riqueza material, são transformadas em afeto. Joel Rufino dos Santos ainda nos convida a ler a “Sagrada Família”, “O Leão do Mali,” ”Bonsucesso dos Pretos”, ”A Casa da Flor” e “Bumba- meu- Boi”, onde a ilustradora, com arte, exprime os gestos de incredulidade e desalento do amo com a perda do boi vindo do Egito, em Caravela. E, como diz o próprio Joel, “esse foi o primeiro bumba- meu- boi do mundo.” |
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