Nesta Vitrine Literária, você encontra os 11 livros indicados ao Prêmio Jabuti 2003 - Melhor Infantil ou Juvenil. Os textos e comentários desta página integram o material de divulgação das editoras, exceto quando apontada fonte ou autoria.

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O mundo está cheio de bichos que existem e bichos que não existem. Tem bicho que existe e a gente não acredita. Tem outros que a gente não acredita que existam. No final das contas, não há tanta diferença entre um bicho que existe e um bicho que não existe. Todos os bichos existem- nas palavras dos livros e na cabeça da gente...

O crítico e professor de literatura Arthur Nestrovski transpõe para o universo infantil uma idéia desenvolvida pelo francês Francis Ponge, que explorou poeticamente as coisas e objetos do mundo. Com muito humor e ilustrações vibrantes, o livro mescla bichos de todos os tipos com animais criados pela imaginação do homem desde os tempos da Grécia clássica.


Arthur Nestrovski
Bichos que existem & bichos que não existem
Vencedor do Jabuti 2003, na categoria Livro Infantil ou Juvenil, e também escolhido como
"Livro do Ano - Ficção"

il. Maria Eugênia
Cosac & Naify, 2002






Era uma porção de histórias que o tataravô contava para o bisavô, que contava para o avô, que contava para o pai... que começou a parar de contar. São histórias que falam da existência, espalham brilho e magia em qualquer lugar ou época, e ainda assim estão ameaçadas de se perderem. Mas antes que desapareçam no meio da noite escura, Ricardo Azevedo, como estudioso do nosso folclore e bom contador de histórias, escolheu algumas das mais belas e escreveu do jeito que todo mundo gosta, como um pai que conta para o filho.


Ricardo Azevedo
No meio da noite escura tem um pé de maravilha
Finalista!

il. do autor
Ática, 2002






A história de duas bordadeiras do sertão, muito, muito amigas, até o dia em que elas se apaixonam por um mesmo rapaz. André Neves cria paisagens e personagens com papel artesanal, bandeirinhas de santo, cromos, fitas, bicos e rendas, retalhos de tecido e folhas secas. Sebastiana e Severina vivem de mentira numa cidadezinha do interior da Paraíba, que existe de verdade: Umbuzeiro. Lá, o autor (que é pernambucano e hoje mora em Porto Alegre) passava férias, na casa da avó, que lhe contava muitas histórias. -- Eleuda de Carvalho, jornal O Povo.

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Um conto e muitos pontos para Sebastiana e Severina
Diário de Pernambuco, 12 de outubro de 2002

André Neves
Sebastiana e Severina
Finalista!

il. do autor
DCL, 2002

»» Sebastiana e Severina também recebeu indicação ao Prêmio Jabuti 2003 para Melhor Ilustração.




Esta é uma história que não tem data. É o mito da criação do mundo contado deste os tempos mais antigos pelo povo Iorubá. Foi dessa forma que os descendentes dos Iorubá tomaram conhecimento de sua origem. Aguemon é o mensageiro dos deuses. É quem vem habitar a Terra antes mesmo do ser humano. Ele é o saber. E o saber vem do silêncio, pois é observando que se aprende.
Carolina Cunha
Aguemon

Martins Fontes, 2002






O pai de Pedro era vereador numa cidade pequena. Cassado por corrupção, é obrigado a mudar de Estado e começar vida nova. A contragosto, Pedro o acompanha, deixando os amigos e a namorada. Só que, aquilo que para o garoto parecia o inferno na terra - uma convivência forçada com o pai, com quem não se dava e de quem se afastara havia anos - se transforma num reencontro. De um lado, o pai, sinceramente arrependido e decidido a mudar; de outro, Pedro, que reconhece, ao final, que o pai lhe deixa uma bela lição sobre a arte de viver.

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Os conflitos entre pai corrupto e filho adolescente
O Estado de S. Paulo, 5 de setembro de 2002




Moacyr Scliar
Aquele estranho colega, o meu pai

il. Angelo Abu
Atual, 2002





Uma história ver-da-dei-ra se passa num edifício muito interessante com apenas cinco apartamentos. O 1º da síndica (muito suspeita), o 2º de um casal comum, pais de uma menina banguela, o 3º do narrador desta história, o 4º de uma senhora de óculos e o 5º de outra senhora também de óculos. As duas desejam muito ter um filho. É aí que surge a banguelinha que ouve a conversa das duas e resolve transformar o sonho em realidade.

A Banguelinha é contada na primeira pessoa. O narrador assume as ilustrações com seu traço, da mesma maneira que assume a fala com seu sotaque. A história é um conto de fada urbano, onde, escapando às convenções e aos síndicos, alguns humanos, anjos e animais vencem, como podem, a solidão.


Angela Lago
A Banguelinha

il. da autora
Moderna, 2002




Uma história cativante, com ilustrações primorosas, que aborda o tema da perda de um ente querido de maneira delicada e envolvente. As ilustrações do livro Cadê Vovó?, feitas pela artista plástica Alessandra Tozi, receberam Menção Honrosa no 2002 Noma Concours for Picture Book Illustrations. Foram inscritas 325 obras, de 43 países, e Alessandra foi a única artista brasileira premiada. As ilustrações do livro, publicado pela editora Nova Didática, serão colocadas no catálogo do concurso e no site da organização, além de participar de exposições em Tóquio, Bratislava e outras localidades.


Mauro César
Silva Viana
Cadê Vovó?

il. Alessandra Tozi
Nova Didática, 2002






O sociólogo Reginaldo Prandi narra para crianças e adolescentes as histórias de Ifá, o adivinho que em tempos antigos, na África negra, um adivinho chamado Ifá jogava seus búzios mágicos e desvendava o destino das pessoas que o consultavam. Ele as ajudava a resolver todo tipo de problema, mas o que mais gostava de fazer era auxiliá-las a se defender da Morte. Escrito para crianças e adolescentes, Ifá, o Adivinho, propicia uma leitura extremamente prazerosa, ao mesmo tempo que descortina um rico conjunto de personagens, costumes e modos de agir do universo cultural africano que se tornou parte constitutiva da diversidade cultural brasileira.
Reginaldo Prandi
Ifá, o adivinho
Histórias dos deuses africanos que vieram para o Brasil com os escravos

il. Pedro Rafael
Cia. das Letrinhas, 2002

»» Com este livro, Pedro Rafael recebeu indicação ao Prêmio Jabuti 2003 para Melhor Ilustração.



Sentados na calçada,
o Tico e a Lia adoravam brincar de ver as figuras que as nuvens formavam no céu. Um dia,
o Tico ficou sabendo que a amiga era cega e então a brincadeira mudou. Juntos, descobriram uma boa maneira para se divertir, superando a deficiência da menina.

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Mãos de vento e olhos de dentro
Vitrine Literária de Abril


Lô Galasso
Mãos de vento
e olhos de dentro

il. Aída Cassiano
Scipione, 2002




Num texto em que não faltam bom humor e emoção, Marta Góes lembra um pedaço da sua própria infância, passada em Petrópolis, no início dos anos 60. As mudanças de comportamento que marcariam a década se insinuam de maneira sutil na vida de Teresa, uma garota que vive pela primeira vez os sentimentos contraditórios de um namoro. Aos nove anos, Teresa se apaixona por Alexandre, um menino que vai passar as férias na cidade onde ela mora. Eles chegam a namorar secretamente por quase três meses. Ninguém podia saber; afinal, Teresa ainda era muito pequena para se apaixonar. Os pais descobrem o namoro, e a menina cai num redemoinho de dúvidas. Teresa e sua família sofrem um bocado, mas percebem que às vezes são as regras de comportamento -- e não os sentimentos -- que estão erradas.




Marta Góes
A Menina que se apaixonava

il. Mariana Massarani
Cia. das Letrinhas, 2002





Sete é conta de mentiroso...
O número não deve ter escapado a Angela Lago ao selecionar as lorotas - das boas - reunidas neste livro. São casos de assombração (e de esperteza) colhidos na melhor tradição brasileira, narrados numa linguagem que recria o jeito e o ritmo mineiro de contar. Há esqueletos e cemitérios, defuntos falsos ou não, sonho e realidade em interferências mútuas de arrepiar. Mas nada disso dá medo: o suspense e o humor se combinam para desmascarar esse outro plano da imaginação e incorporar a morte ao conjunto das coisas que simplesmente são - em Bom Despacho, a cidade onde tudo acontece, ou em qualquer lugar. Tornada palavra, a morte se deixa narrar, e narrada se torna propriedade de quem a diz. Essa posse, aliás, vem tematizada explicitamente em algumas das histórias. As ilustrações se afinam à perfeição com o texto. São quase esboços, sem carnes ou sem rosto, de uma transparência que tem tudo a ver com o intangível do além.

Angela Lago
Sete histórias para sacudir o esqueleto

il. da autora
Companhia das Letrinhas, 2002

»» Este livro também recebeu indicação ao Prêmio Jabuti 2003 para Melhor Ilustração.
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