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Seleção: Peter O'Sagae

Como ler &
por que ler poesia



Versos, sons, ritmos
Norma Goldstein

Ática, 1976
14.ed. 2006
112 pp.
A análise dos aspectos formais e métricos é tratada pela autora de maneira clara nesta obra que introduz algumas "técnicas" para o estudo e a leitura de poemas, no que diz respeito aos ritmos, aos sistemas de metrificação, à classficação de versos e estrofes, ao parentesco sonoro entre-palavras e às principais figuras sonoras. Norma Goldstein sublinha, no capítulo de apresentação, que o trabalho com a poesia exige atenção aos procedimentos de seleção e de combinação das palavras que produzem diferentes graus de tensão e ambigüidade no interior do texto literário, considerando ainda que embora seja possível isolar alguns aspectos de um poema, isto apenas se faz de modo didático, artificial e provisório. Os sentidos buscados pela atividade interpretativa apenas se erguerão do papel com um exercício de estabelecer relações entre diferentes estratos (ou níveis) de um poema. Aqui se começa com os aspectos materiais do texto.

Poesia infantil:
o abraço mágico

Eloí Elisabet Bocheco

Argus, 2002
128 pp.



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em um pequeno GRANDE livro
por Tânia Piacentini
Eloí Elisabet Bocheco escreve sobre a vivência com a poesia na urdidura de vozes que nunca se fecha, mas antes é abraço que se multiplica. Vai compilando-lendo e rememorando poemas, a palavra da crítica e o depoimento de crianças — suas crianças, seus alunos — explicando e fazendo-nos refletir a respeito de como a poesia pode apresentar o mundo de uma janela nova e brincalhona, visto fora de seu "devido lugar". Tematiza o riso cúmplice que brota das inversões da lógica convencional, através dos mecanismos do non-sense, enveredando-se depois pelos diálogos da poesia contemporânea com as matrizes populares da tradição oral. Delicadeza e eficácia jamais faltam aos argumentos de Eloí, professora, poeta e leitora carinhosa com os textos que soma à sua reflexão.

A poesia pede passagem:
um guia para levar
a poesia às escolas

Elias José

Paulus, 2003
104 pp.
A poesia para Elias José está em toda parte, em toda arte revestida de força, música, beleza, sugestão... e o livro, que era para ser apenas um depoimento, transforma-se em uma aula sobre cores, formas e sons no estado de liberdade que o poeta concebe. Elias José vasculha a bagagem semântica e emocional que as palavras carregam, enquanto caminha sem o peso da teoria no intento de não fatigar seus leitores. E, viajando pelos capítulos (que, muitas vezes, retomam títulos e trabalhos já publicados do autor), encontramos sugestões para chegar à sala de aula, conhecendo e replicando os procedimentos mais caros ao poeta: a desconstrução de uma palavra, encontrando nela outras palavras, a inversão de elementos da frase, as possibilidades da pontuação, entre outros, sem esquecer de que "o ato de criar e o ato de ler poesia são festas parecidas..."

Criança e poesia
na Pedagogia Freinet

Gloria Kirinus

1.ed. 1998
Paulinas, 2004
120 pp.



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palavra que voa domingamente
Tocando a lira mito-poética da invenção, Gloria Kirinus responde sensivelmente qual a importância da poesia para a criança e para restaurar as forças criativas do mundo e das palavras no cotidiano. Dialogando sempre com educadores, seu texto-fruto de pesquisa e inspiração resgata desde as primeiras manifestações da poesia que se engendram no universo infantil, preparando argumentos e convite para uma necessária mudança da postura pedagógica. A autora re-cita caminhos e poesia para ser vivida, palavra que lavra palavra, através do encadeamento de sugestões que promove o reencontro da criança com o mundo lúdico, sonoro e fantástico a que tem direito.

Poemas para crianças:
reflexões, experiências,
sugestões

org. Hélder Pinheiro

Duas Cidades, 2000
200 pp.
capítulos "de"  poesia

Pensando na distância entre os professores e as reflexões sobre poesia para crianças, Hélder Pinheiro organizou um volume de artigos diversificados para compartilhar critérios estéticos, sugestões práticas de como trabalhar poemas em sala de aula e recortes temático-históricos da poesia infantil brasileira. Sério, importante e interessante em todas as suas páginas, mas não posso deixar de destacar quatro dos oito capítulos que integram o livro, iniciando com o painel-reflexão "Poemas para crianças e jovens", do próprio organizador, pesando a profusão de obras publicadas e a busca da qualidade a partir de um conjunto de textos que chegam à saturação de motivos e recursos; "Uma viagem ao universo infantil com Henriqueta Lisboa", de Ana Lúcia Maria de Souza; "Em busca da surpresa e do humor", em que Vaneide Lima Silva nos transporta à uma síntese da obra de José Paulo Paes; e "As várias danças da menina bailarina", de Maria Rejane Araújo Tito, estudando a tessitura poética sobre um mesmo tema, a partir de Cecília Meireles.

O que é qualidade em
literatura infantil e juvenil?
Com a palavra, o escritor

org. Ieda de Oliveira

DCL, 2005
200 pp.



» ler resenha sobre o livro
porque perguntar é preciso
No livro organizado por Ieda de Oliveira, há um excelente capítulo a respeito de poesia, sobre o qual já escrevi anteriormente que lépido e lúcido, Leo Cunha arrisca reflexões — das boas e leves, estratégico — ao recortar um assunto tão próprio de seu fazer: “Poesia e humor para crianças”. Inicialmente, distingue semelhanças entre poetas de olhar reflexivo e filosófico que expressam amabilidade, delicadeza e lirismo, para, então buscar em outros textos uma tendência para o afastamento da concepção dominante sobre o que é poesia. O pêndulo do lírico ao lúdico, adivinha humor no jogo das palavras, no jogo das idéias e na reinvenção do cotidiano — qualidades para “o encantamento com a palavra e a partir da palavra”.

O que é comunicação poética
Décio Pignatari

1.ed. Cortez de Moraes
5.ed. Brasiliense
8.ed. Ateliê Editorial, 2005
66 pp.
Signos em rotação
Octavio Paz
trad. Sebastião Uchoa Leite

1.ed. 1971
3.ed. Perspectiva, 1996
320 pp.
O ser e o tempo da poesia
Alfredo Bosi

1.ed. Cultrix, 1993
Companhia das Letras, 2000
280 pp.
Seis propostas
para o próximo milênio

Italo Calvino
trad. Ivo Barroso

Companhia das Letras (1985)
144 pp.
outras leituras

Caso hoje ministrasse um curso ou oficina sobre poesia para crianças e jovens, não deixaria de levar na bagagem a referência a esses quatro livros, alinhavando pressupostos para a leitura de textos.

O pequeno livro de Décio Pignatari é uma intrigante aula, em linguagem veloz e acessível, sobre o que é a criação poética, discutindo e demonstrando como funcionam os processos de seleção e de combinação, as questões relativas ao eixo da similaridade x contigüidade, a função póetica da linguagem... Ótima introdução aos conceitos-chave da teoria de Peirce, Pound e Jakobson ;-) e para aprender a apreciar (ou fazer) poesia sem suspirar...

A coleção de ensaios do poeta-crítico Octavio Paz e o livro do professor Alfredo Bosi são duas obras para uma leitura mais lenta e densa sobre a caracterização da poesia, em detrimento da prosa, a gestão do tempo nos textos, as irredutíveis distâncias entre o discurso (linguagem verbal) e a imagem, além de outros aspectos da crítica literária.

Embora não contenha especificamente um estudo a respeito de poesia, a contribuição de Italo Calvino é imprescindível para quem busca conhecimento e novas relações com o texto literário. Suas propostas são, na verdade, valores que o autor-crítico-leitor julga caros aos textos de força estética, em termos de leveza, rapidez, exatidão, visibilidade e multiplicidade.

Caso você tenha outras sugestões de leitura e deseja compartilhá-las, escreva um texto de dez linhas, aproximadamente, e envie através do formulário on-line.

Dobras da Leitura
Ano IX - N.º 51 - jan. 2008
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