Confraria da Leitura
REINAÇÕES apresenta


Diogo & Diana:
uma fantástica aventura brasileira

por Christian David



O livro Diogo e Diana Vol. 1 – Meu vizinho tem um Rottweiler (e jura que ele é manso...), de Tabajara Ruas e Nei Duclós, lançado pela Galera Record, parece ter o necessário para proporcionar bons momentos de divertimento e de deleite, uma tantas das funções da literatura feita para crianças e adolescentes. Pode-se perceber isto pelo texto da contracapa que apresenta o livro trecho: “Dois adolescentes com poderes mágicos, bruxas que raptam crianças e muito mistério. Como cenário a bela Florianópolis de natureza exuberante e navios encalhados no fundo do mar”. Tanto o longo título, quanto a apresentação do livro promete diversão e, de fato, é isso que podemos esperar ao lê-lo, principalmente pelos seguintes motivos:
  • A história é atrativa, os personagens são envolventes e o ambiente parece convidar à aventura. Já na primeira página, os autores instigam a imaginação do leitor sugerindo que os jovens protagonistas viverão uma aventura de proporções épicas. Num clima de mistério, os autores gradativamente apresentam Diogo e Diana — dois adolescentes com habilidades fora do comum — e continuam brincando com nossas expectativas ao introduzirem no texto pequenos fatos, aparentemente corriqueiros, que vão pintando o pano de fundo da história. Diogo e Diana não são adolescentes óbvios. Mesmo que, algumas vezes, seus diálogos e preocupações pareçam inverossímeis, eles são, definitivamente, cativantes.
  • A narrativa é de aventura, com todas as suas particularidades. Assim, o público leitor é o mesmo que se sente atraído pelas aventuras de Harry Potter, Artemis Fowl e Fronteiras do Universo. Diogo & Diana (Vol.1) com certeza agradará também a muitos dos leitores de Crônicas de Nárnia e O Senhor dos Anéis, ou seja, é texto ideal para aqueles que gostam de histórias de fantasia, mescladas com momentos de tensão e humor. A Manada — o grupo musical formado por algumas das irmãs muito obesas de Diana — é uma idéia interessante que proporciona alguns dos momentos bem-humorados do livro, potencial que, a meu ver, poderia ser mais bem explorado, com mais espaço para as “grandes” artistas no decorrer da narrativa. Além do humor, há alguns momentos de tensão (e quase terror) no enfrentamento dos jovens e de seus apoiadores contra o time das bruxas. São passagens bem intensas, que prendem a atenção, constituindo um dos pontos altos da história.
  • Diogo & Diana (Vol.1) é um marco nesse tipo de literatura infanto-juvenil no Brasil, pois, até onde consigo me lembrar, somente em autores estrangeiros buscamos este tipo de aventura fantástica, ambientada em cidades meio reais, meio inventadas, que capturam a atenção de um público que começa aos dez anos e vai até sei lá que idade. E esse é o que considero o principal mérito do livro. Diogo e Diana – Vol. 1 se encaixa nesta nova vertente de histórias fantásticas, voltada ao público adolescente e capitaneada pelos autores do Reino Unido e países adjacentes (além dos já citados ver também Os Seis Signos da Luz e JJ e a Música do Tempo, por exemplo), que tiveram o mérito de descobrir ou relembrar que essa faixa de público tem capacidade de ler qualquer texto interessante, ainda que tenha mais de cem páginas. Parece-me importante e saudável que também aconteça entre os nossos autores o ingresso nesse mercado em formação, mas em plena expansão. Afinal, a literatura infanto-juvenil nasceu sob o signo da aventura, da fantasia, do fantástico.
Outras questões poderiam ainda ser consideradas, tais como a questão da diferença de estilo perceptível em alguns capítulos, a linguagem pouco apropriada dos personagens adolescentes em algumas passagens do texto e a exploração acanhada de algumas cenas com grande potencial.



Escolha do Editor — Uma rápida visão de Nei Duclós e Tabajara Ruas na Barca dos Livros

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Todavia, estas são questões menores frente ao saldo positivo que o livro traz. Além disso, nenhuma delas chega a apagar o brilho da aventura que Tabajara Ruas e Nei Duclós plantam nos corações de seus leitores.
Como última observação, acredito que, se, nos próximos dois livros (o proposto é uma trilogia), os autores se fixarem mais na aventura em si, reforçando o embate entre o Bem e o Mal apenas esboçado neste primeiro volume, e deixarem que os personagens desenvolvam seus dramas pessoais sem que isso pareça intencional ou arranjado, teremos mesmo outros agradáveis momentos de diversão chegando por aí.

Dobras da Leitura
Ano IX - N.º 55 - maio 2008
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