Tânia Maria da Silva, org. il. Edemilson A. Pinto Estúdio Criação, 2004 Porque vale a pena sonhar, Tânia Maria e seu grupo de vovós-contadoras dedicam-se à recuperação do antigo hábito dos serões que unem crianças e adultos em laços de afetividade. Tanto na vida real como livro, elas são as personagem de uma trama ancestral, retirando, da fantasia ou das situações cotidianas a serem narradas, a pequena dose de ensinamento que se quer transmitir às futuras gerações. Acreditam assim que é, através do ouvido, que se despertam o compromisso e o prazer pela leitura e, por fim, a consciência cidadã. No livro, encontramos doze narrativas. Em todas elas, o esquema textual divide-se em três momentos: sempre partindo de uma cena do cotidiano, somos apresentados brevemente à vovó-contadora bem próxima de seus netos e outras crianças; segue-se o incurso pela história a ser compartilhada com os pequenos e, então, a ação inicial é retomada. Em uma linguagem pautada pela oralidade, as histórias evocam lembranças dos textos criados, para a coleção Livraria Quaresma, por Figueiredo Pimentel. Vovó Dinorah conta os dissabores de Floquinho, um coelho em busca de amigos e irá encontrá-los entre os iguais de sua espécie. Capítulos adiante, a contadora de histórias surge como escritora e põe-se a registrar os apuros da formiguinha Figuima por não saber obedecer as ordens de mamãe... Vovó Marli inventa uma maratona de batráquios na Sapolândia, em que o tímido Kevin sairá vencedor; mais adiante, conta a facécia de dois galos que não acertam a hora de cocoricar num galinheiro de sua vizinhança. Com apenas uma história na coletânea, Vovó Dorothy fala dos sonhos de uma plantinha mirrada que se transforma em um girassol apaixonado pelo astro-rei. A sexta narrativa é contada por Vovó Aglair que resgata a lenda do guaraná da tribo Saterê-maué. Vovó Maria Garcia reinventa a amizade doméstica entre gato e rato; depois, o companheirismo entre cão e gato. Seus personagens-animais convivem com pessoas, crianças, donas-de-casa, em ambientes urbanos e atuais. Vovó Stella conta como um macaquinho muito travesso, que adora bulir com os outros, arremessando coco na cabeça dos outros, tem uma merecida lição; logo em seguida, uma história sobre a amizade entre um príncipe que vivia solitário até conhecer um ratinho, seu conselheiro. Lembrando como os livros podem ser o tesouro e o segredo mais bem guardado das pessoas, Vovó Tânia narra as peripécias das crianças de seu bairro rumo ao misterioso sótão das velhuscas generosas Zazá e Lalá. E, fechando o livro, a Vovó fala com seus leitores, através dos vôos de Ninha: "Ah! Borboleta sonhadora! Você sempre será dona de seus sonhos. Realizá-los ou não, vai depender só de você." Porque vale a pena sonhar e fazer sonhar, Benita Prieto redobra o convite de Tânia Maria da Silva, ao afirmar, no prefácio do livro, que "todas as avós do mundo deveriam seguir esse exemplo, pois não custa nada gastar minutos para dividir mais do que palavras... Afetos." |
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