O que é que houve,<BR>o que é que há?


José Carlos Aragão
O que é que houve,
o que é que há?


il. Giselle Vargas
Paulinas, 2005


História não há,
apenas memória. E assim, sem qualquer perturbação, ou conflito que venha desenfrear um enredo particular,
outra trama se revela: como um álbum de fotografias, reminiscências do que havia traduzem a infância
-- daquele homem de terno e gravata, da mulher
comprando tomates na feira, do velho na fila do banco,
do autor que tirou zero em Matemática, e mesmo do leitor!
Porque fomos todos iguais: fomos crianças.

O texto de José Carlos Aragão põe-se
a prolongar a enumeração das lembranças,
como quem deseja parar o tempo. Lá, onde
a saudade foi morar, havia uma cidade, e uma rua
e uma praça. Quintais! Morro e trem, circo,
estrada, estrela, charrete, cachorro, rio,
arraias ao vento, borboletas...
Se a saudade também tem asas previsíveis, aqui
veio pousar: e hoje, o que é que há?

Texto que há, em linguagem de dia de semana
para o pequeno leitor tomar posse
do que houve na história dos adultos à sua volta...
quem sabe, para roubar-lhes uma noite
com cadeira na calçada ;-)

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Havia um livro. Nele, para cada feitiço de bruxo havia uma fada pronta a desfazê-lo; todo patinho feio, um dia, virava cisne; donzelas eram sempre salvas por cavaleiros andantes ou príncipes encantados. Tudo era previsível e todos eram felizes para sempre. »


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