Trem chegou, trem já vai



José Carlos Aragão
Trem chegou,
trem já vai


il. Elma
Paulinas, 2003



Irresistível para a imaginação dos poetas,
o trem é sempre sinônimo de movimento, confraternização e passeio pela poesia. José Carlos Aragão propõe versos carregados de releituras particulares e vai empurrando o comboio de sua memória no ritmo do café com pão / manteiga, não. Sim, aqui está Manuel Bandeira entre outros convidados muito célebres, como Drummond, Ferreira Gullar, o músico Villa-Lobos, Guimarães Rosa e seu personagem Riobaldo Tatarana.

Este é um trem de intertextualidade...
Todo o antigo Trem de Ferro é reordenado em novos vagões que expressam uma mineirice ingênua. Na contra-capa do livro, o autor dá a deixa: para um bom mineiro, um trem é tudo: bem-querer, sentimento, pensamento, conversa de mãe e filho, montanha, solavanco, problema, comida e instrumento, minério, gado, cantiga, bagagem, barulho... e, claro, trem é trem também.

E é assim: doido, depressa, apitando, fumegando
que o livro é ilustrado por Elma (que faz aqui sua estréia nas páginas de literatura infantil). Ao representar o trem e seus caminhos, ela emprega uma técnica mista de bordado, pintura e desenhos aplicados sobre o tecido. Em suas mãos, o trem de "verdade" vira brinquedo de criança, e o olhar do leitor se desloca entre paisagens do mundo e da imaginação, uma vez que o trem de Aragão: Vem de noite
vem de dia
traz o sol
traz o luar
traz cantiga
e poesia
tanta coisa
pra brincar.
Trem chegou, trem já vai é o terceiro livro do escritor que, em 2002, conquistou o Prêmio Adolfo Aizen de Literatura Infantil, conferido pela União Brasileira de Escritores - UBE.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Sem ver
o trem
não fica
ninguém. »

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