Lúcia Hiratsuka Lin e o outro lado do bambuzal il. da autora Edições SM, 2004 72 pp. Com muita delicadeza e vigor, a autora Lúcia Hiratsuka alia a história de Lin, um filhote de raposa que precisa crescer, à grande metáfora da experiência do amadurecimento. Esse tema, arquetípico da história ocidental, recorrente nos romances de aprendizagens, vem mesclado aqui a ilustrações muito delicadas e arejadas, com as quais a autora não só ilustra, como amplia o enredo. A amizade de Lin com o broto de bambu (também em processo de crescimento) e com a menina cega (dedicada à música) faz desses três diferentes seres um grupo coeso em que cada um exerce para o outro o sentido do que lhes falta: ao bambu, o crescimento para ver o mundo do alto; a Lin, a magia que o inserirá no seu grupo; à menina, a concepção do mundo através do som. Crescer é transformar-se, claro. E estes jovens, humanos, animais ou vegetais, são seres que, emoldurados liricamente pelo traço de Hiratsuka, vão viver uma experiência ainda maior: a grande e única amizade solidária, que ultrapassa os reinos da natureza e, quem sabe, os reinos dos homens. |
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Lúcia Hiratsuka Lin e o outro lado do bambuzal il. da autora Edições SM, 2004 72 pp. Lin não sabe que todo o mundo tem segredo. Lin, um filhote de raposas, nem sabe mesmo guardar os próprios segredos! Vai um dia, quando o sol penetra entre as folhagens, o filhote sai correndo e se depara com o imenso bambuzal escondendo o outro lado do mundo. Um dia, quando dominar 'a arte da transformação', que faz de uma raposa uma verdadeira raposa, poderá explorar os limites além da floresta. No bambuzal, nasce um broto. Demorará tempo para que ele possa conhecer o mundo comentado por todos. Vai um dia, outro dia, esticando-se... mas não alcança a altura do céu, nem mesmo a altura do maior de todos os bambus. O mundo do pequeno broto é forrado de histórias que cantam os passarinhos, as aventuras narradas por Lin e uma música longe embalada pelo vento. O mundo de Yume é composto por sons, cheiros e sabores, vento na folhagem, chá, bolinhos deliciosos preparados pelo carinho da mãe, melodias que ela sabe adivinhar à flauta. Vai um dia, uma visita inesperada. As tardes da menina se transformam: espera, alegrias e segredos. O encontro e a amizade desses três personagens movimentam o afetuoso conto de Lúcia Hiratsuka. A narrativa se desenrola ágil e calma, através de curtos episódios: os capítulos são articulados como cinema, o tempo passando numa sucessão de cenas. É da literatura-arte que o verbal projete imagens na mente leitora e igualmente module seu próprio ritmo ao evocar emoção. O texto de Lúcia possui essas qualidades. As ilustrações da própria autora, em aquarela misturada à técnica japonesa do sumiê, revelam o gesto que não se repete de cada pincelada e pontuam o texto e a narração. Apresentar este trabalho em Dobras da Leitura é uma satisfação que encerra também a minha espera. Desde 1997, sentia-me cativado pelo texto original e aguardava vê-lo livro para compartilhar ;-) Veio o dia! | |||
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