Adriana Jorgge 
 O pai da filha 
 e a filha do pai


Adriana Jorgge
O pai da filha e a filha do pai

il. Kiko Farkas
W11, 2004


Afetividade afinada. Com a poesia. Ponto de saudade. Um ponto de distância. Um abismo. Um abraço que não se sente mais... O silêncio. Afinal?

Um livro difícil de resumir sem esmagar o que nele há de mais belo: a simplicidade da linguagem para tratar de uma complexa vivência. Um texto cheio de vazados em que o leitor mergulha sem perguntar razões, pois tudo se compreende bem com o coração: pai e filha separados. Ponto. Não precisamos perguntar por quê. Cada um completa à sua maneira... E o que será comum, entre todas as histórias de separação, é a existência de um abismo
e os desejos. De querer se ver, de alcançar um ao outro — com os olhos, com os ouvidos, com um sorriso.

Reticências... Ponto final, ponto de interrogação: Fim?
Será que um dia... Dois pontos podem se encontrar e dar outra conclusão à própria sorte. Afirmação.
Por sobre o abismo. O pai da filha e a filha do pai.

Esta é uma história de amor eterno:
palavras escritas em imagem, desenhos pintados a verbo.
Adriana Jorgge e Kiko Farkas abrem um diálogo através das três faces de um moderno livro-objeto de literatura: o texto, a ilustração e o projeto gráfico — que é, enfim, a "casa" ordenadora e moldura das outras duas linguagens.


O que se diz
Não temo o ridículo de declarar que a primeira vez que li o livro de Adriana Jorgge caí em prantos porque alguém finalmente tinha escrito o que eu nunca consegui expressar: os abismos que existiam em minha vida entre eu e meu pai. Nem procurei entender bem a história porque o sentimento de minha própria relação falou mais alto, justamente porque a escritora havia criado um discurso que ao falar silenciava, ao contar omitia, demonstrando como o ambíguo e o complexo nesta relação exigia um discurso poético.

palavras Alai Garcia Diniz, professora doutora (UFSC)
extraídas do press-release do selo W11

Comentários de
Peter O'Sagae
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