Antonio Sampaio Dória 
 Um amigo inesquecível




Antonio Sampaio Dória
Um amigo inesquecível

il. Marcelo Martins
Coleção Entre Linhas
Atual, 2003


"De repente, eu me sentia velho."
Quem, até hoje, não chegou
a essa íntima conclusão? Independemente da idade,
o sentimento desponta e nos vemos fora
de nossa própria realidade — ou de nossas condições.
Mas, às vezes, sentimos que os outros cresceram mais e não
conseguimos entender o significado das coisas, das palavras,
das situações. Fica difícil acreditar...

No livro de Antonio Sampaio Dória,
Carlo é o narrador em busca do sabor da vida.
Desde a infância, quando aprendemos a contar até vinte degraus, à fase pré-vestibular, a memória filtra dos acontecimentos as impressões mais importantes.
Não basta enumerar os fatos, mas revivê-los — e assim medir como estamos em relação às pessoas que nos cercam. "Puxavam-me pela mão", diz Carlo, às páginas iniciais do livro. Então, basta saber em que momento não mais permitir aos outros que tomem a decisão por nós?

Dos meados de 1960
às vesperas do fim da ditadura militar, a história
envereda Carlo e seus amigos Bola, Fino e Raul
— qual deles o mais inesquecível? — por caminhos de descobertas, entre a liberdade e o limite. Subtextos
de literatura formativa e de crônica social vão
se encaixando tão bem que, por diversas vezes, podem
confundir a existência ficcional do personagem com
a experiência de vida do autor
(e do leitor, por que não?).

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« As mesas de bares tornaram-se o lugar ideal para grandes debates. Bebíamos e discutíamos assuntos que nos preocupavam: os perigos do cigarro, por exemplo:
— Fumei um maço de cigarro mentolado, perdi o fôlego para correr — disse Bola.
— E algum dia você teve fôlego? — perguntei.
— Claro, pô. Só comecei a fumar porque emagrece. »



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