João de Jesus Paes Loureiro Pássaro da Terra il. Vera Andrade Escrituras, 2003 O Pássaro da Terra é um mito, um fato, uma festa, um mistério do imaginário paraense: protetor da vida e da natureza, celebrado nos folguedos populares do mês de junho. Paes Loureiro resgata formas do teatro popular. Na peça que o livro traz, o desejo de posse da terra e o desejo do amor vão marcando as ações das personagens, misturando tons e intenções. Conta a história do Duque d'Além-Mar que, para acelerar o progresso da região, encomenda a um caçador a morte do Pássaro da Terra, símbolo de vigilância e resistência para os índios pareci e caboclos. Mal sabe ele que o tal pássaro pertence a simpatia de sua filha -- e a Donzela, mal sabe ela, que confia seu amor ao homem sob os mandos de seu pai. Entre entradas e saídas de cena, vários quadros de cantoria são apresentados, contextualizando usos e costumes da terra, a sina e a desdita daqueles que ali nasceram e precisam se retirar -- o desabafo político soa tão forte quanto o mundo do encantados. Porém, ao contrário do que se dá nas danças dramáticas populares, o mito aqui está enfraquecido: curupira não mais possui poderes suficientes para mudar a sorte e o momento da ressurreição mágica do animal morto não brilha para aliviar as tristezas. Mas tudo isso, advertem os cantadores "serve para não deixar que se perca o testamento". |
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