Carlos Nejar As águas que conversavam il. Carla Fatio Escrituras, 2003 À pintura não é dado o movimento: somente a poesia faz dançar imagens: neste trabalho de Carlos Nejar, águas bailam num diálogo imaginativo sobre um instável palco no meio da correnteza, quando, sobre uma pedra, Nalda e Marilda param... No jogo da própria transparência líquida, quem é uma, quem é outra, pouco importa pois a fala das águas se comporta em um contínuo único de pensamentos e emoções. Nascidas, sabe-se lá em que fonte, a corrente para elas é uma ordem severa e exata, de integração e entrega, ao mesmo tempo em que se confundem com o fundo do velho rio... das missões que são mensageiras, são também sonoras testemunhas a perseguir o vôo de pássaros, acompanhar o vento sob o pescoço do sol e vê-lo soltar as rédeas de seus cavalos de ar. Ou mais liricamente ainda, pescar o insondável peixe da lua em reflexo sobre seus ventres. |
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