Elias José
De olho nos bichos

il. Sheila Moraes Ribeiro
FTD, 2003


Lobato dizia que queria escrever livros onde as crianças pudessem morar. Elias José parece não querer outra coisa, a não ser fazer livro onde os bichos também possam morar: em uma reserva florestal imaginária, poemas e bichos se preservam da destruição das matas, rios e nascentes.

Acará-disco, fogo-apagou, ariranha, sagüipiranga...
São nomes que, pelo menos aqui, estão a salvos: na memória de cada leitor: que uma nova postura também seja conquistada à força de um discurso ecológico feito poesia. Abrindo o livro, a saldação é feita pelo "Poema passarinheiro" -- que só coleciona tão belas penas em palavras. E o cordão de bichos vai desfilando: pra gente ficar de olho: do Pantanal à Amazônia, passando pelo cerrado, florestas e outros terreiros. Pescaria e outras caças? Nem pensar...

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De olho nos bichos pertence à série Arca de Noé e Sheila Moraes Ribeiro, ilustrando seu primeiro livro, emoldura os poemas com grafismos imitativos de arte rupestre, com a delicadeza de cores sobrepostas e bom gosto.

Os Cascudos

- Como tem tártaro,
como tem casca,
como tem ruga
a dona tartaruga!
- disse o jabuti.

- Como o seu tatu
tá cascudo,
cheio de tatuagem,
com pêlo no meio
daquela engrenagem
que até parece escudo!
- disse a tartaruga.

- Como o seu jabuti
esculpiu aquela casca
estranha e esquisita
que faz mal
pra mim vista?!
- disse o tatu.

Aí o cágado chegou
e viu o jabuti,
e viu a tartaruga
e viu o tatu.
E disso pros parentes:
- Como têm carapaças lindas
estes meus parentes!

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