Ana Maria Machado Abrindo caminho il. Elisabeth Teixeira Ática, 2003 Frente a capa, nossa imaginação logo começa a funcionar: mãos dadas, menino e menina tal-e-quais João e Maria vão abrir o próprio caminho? A partir do Rio de Janeiro a um ponto qualquer do mapa, onde existam castelos, o que eles têm é o mundo a seus pés... na moldura, pena, arco, óculos, ampulheta, árvore, um avião de rabiola, um violão, um barco antigo de muitos remadores, a torre francesa, um monstro marinho escamoso e alado. Por onde irão os dois personagens? A princípio, a lugar nenhum: este é apenas um despite da ilustradora sobre o que é possível encontrar neste livro. A viagem que nos oferece Ana Maria Machado tem outra natureza: nem é preciso sair do lugar para conhecer o que havia no meio do caminho de Dante, Carlos e Tom: uma floresta, uma pedra, um rio... ou no caminho de Cris, Marco e Alberto: oceano, deserto, muita lonjura. E o que há nos possíveis caminhos do leitor, o texto diz: No meio do meu caminho tem coisa de que não gosto. Cerca, muro, grade tem. No meio do seu, aposto, tem muita pedra também. E assim, intertextualizando caminhos, o poema de Ana Maria vai abrindo começos de novas leituras, dos clássicos da literatura universal e brasileira, à nossa canção popular e referências históricas de todos os povos. Afinal, todo livro é promessa de vida -- e a autora, afinada com o diálogo entre gerações (de pessoas e de textos), vai juntando frases que pinçou aqui e ali compondo sua própria canção. Grandes e belas, as ilustrações de Elisabeth Teixeira vão "abrindo caminho" para cenários variados, dando ao olhar as pistas que o texto nos quer fazer descobrir. |
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