Gláucia de Souza Num marte pequenininho il. Cristina Biazetto DCL, 2002 «« Num marte pequenininho, estava a marciana escondida num canto. Todo dia ela dizia: __ Ai, estou tão só! Mas para sair do lugar, quase que levava uma vida! Do outro lado daquele marte, também só, bem sozinho, ficava o marciano parado, com um frio danado, porque o inverno lá era outro, bem mais forte, bem mais frio do que em qualquer marte diferente. »» Qualquer leitor pode esperar um jeito, solução ou confusão, para o encontro dos dois personagens, naquele marte não descoberto pelos cientistas -- apenas pelos poetas, como Gláucia de Souza, ou pessoas que sonham através de janelas (coloridas) como Cristina Biazetto. Com toda carga de literatura e liberdade, a autora começa mexendo no código: marte não é Marte, mas qualquer outro lugar e planeta: provocação na linguagem e nas idéias do leitor: "imexíveis", a marciana e o marciano, tão próximos e tão distantes, ela e suas flores amarelas, ele e suas flores azuis, um dia se encontrarão... mesmo criando raízes nos pés, bem fincados naquele marte (ah, sim, marte é terra também). |
| |||
|