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Raimundo Matos de Leão

Quem conta um conto, aumenta um ponto

Letras da Bahia, 2001
Quatro textos de teatro para crianças abordam questões relativas ao universo da
criança e da cultura popular: contos, narrativas, brincadeiras e festas populares.
Textos selecionados pela comissão da Secretaria de Cultura e Turismo e
Fundação Cultural do Estado da Bahia.
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tem uma rua com lua
cá dentro do baú
Peter O'Sagae
* texto publicado nas internas de capa do livro
Mágico, poeta e cantor: este é o Raimundo Matos de Leão que aqui se mostra em cada ponto, em cada trama de seus textos para teatro. Um teatro que não traz um mundo pronto, daquele jeito que a gente se acostumou a olhar, mas vai sendo construído no relampear de palavras, feito aos poucos pouquinho, que se revela repentinamente brincante e inteiro ante os olhos do espectador.
Tear de gestos, o teatro dedicado para crianças me parece ser a grande arte das transformações, um jogo dramático, livre por excelência. Afinal, no teatro, podemos ser outro que não nós mesmos, podemos viver onde desejamos nos encontrar... Com gestos imaginativos, o palco, o picadeiro, um quintal, qualquer outro espaço que nos cerca, irá conter o mundo, caminhos de viajar. Nossa bagagem está dentro do antigo baú, todo instante é hora de partir. A cada passo, uma estória.
Em BRINCADEIRAS, quatro personagens -- feito gente que nem a gente, cabeça, tronco, braços e pernas -- vão saindo do escuro e iluminam o próprio nome. Isso é bonito: a criação ganha existência e tudo mais pode acontecer... e, veja você, acontecem muitas coisas! Dá até vontade na gente de pular da cadeira para o palco, participar de verdade... essa é a idéia que alinhava as curiosas ESTREPOLIAS NA RIBALTA.
Ritmo da palavra que trama a trama eis o livro, eis o texto teatral QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO trazendo cinco estórias cadenciadas, resgate de nossa tradição oral. Costura de boa agulha, a voz é a corda que prende, o acorde que desperta o canta-conto bailarino e brasileiro. Ritmo de Raimundo que é narrador da vida, narrador de mão cheia, mambembe e saltimbanco, giroflê, mascate e servidor de alegria.
E, no floreio de fitas e falas, por fim, a fogueira ainda acesa é a memória generosa, cravo, rosa e manjericão: CAI CAI BALÃO faz baixar as cortinas desse livro. No crepitar do mundo, vamos nos encontrar com aquele tico de pessoa que fomos um dia -- e desejamos, então, o retorno.
Tudo bem, que no baú tem rua com lua.
Quem vem?
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