Roger Mello Zubair e os labirintos Companhia das Letrinhas, 2007 28 pp. Zubair corre por uma recente Bagdá em guerra, no labirinto em que sua própria vida se transformou — na extensão dos saques, vem o susto do menino. Homens armados nos pontos estratégicos, mas muitos soldados também se espalham pela cidade sem um cálculo mais preciso. O barulho das sirenes é infernal — e a descrição de Roger Mello, cubista, acelera uma imagem de agonia: aquela que fica em nossa mente. Quem viu o menino tropeçar na respiração e sentiu o zunido de uma caixa de marimbondos que fez Zubair guardar lépido o ouvido no bolso? Como um livro também é transito de significados, Roger projetou sua obra em diferentes níveis de entrelaçamento entre o leitor e o objeto da leitura. Enquanto a narração caminha adiante, desenrolando o fio da prosa que é sempre antigo, a capa de dobras sobrepostas vai sendo aberta — feito um tapete que esconde dentro de si um livro. Na verdade, outro livro: Os treze labirintos... Certamente que não se trata do desenho de uma ilustração, nem de uma metáfora, mas tal manipulação configura uma provocativa imagem cinética. A analogia com o movimento de desenrolar um tapete é plena, sensorialmente perceptível, sincronizando as rotas do menino Zubair e seu leitor. O segundo livro possui uma realidade material bastante peculiar, pois será folheado no sentido da direita para a esquerda, como fazem os orientais por todo o mundo árabe, e não deixa de ser a própria imagem do livro que Zubair tem em mãos. Zubair e os labirintos conquistou o 3º lugar de Melhor Livro Infantil – Prêmio Jabuti 2008 e oferece seus jogos de imagem, a todo instante, aos leitores. Verbal e visual se cruzam inevitavelmente num labirinto de signos cuja rota é construída na arquitetura das formas invisíveis. Algo nele relembra as estruturas circulares já exploradas pelo autor, em diferentes trabalhos, então transformadas numa hipérbole eqüilátera, como uma lemniscata de nós narrativos, em Todo cuidado é pouco!, que complexa se amplia em Meninos do mangue, com encaixes em rodopio... Parece difícil esse papo de sintaxe espacial? Nada disso, desconsidere e siga: o caráter lúdico das obras mantém-se firme e seguro, debaixo de qualquer palavrório! |
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