Graça Lima Sai da lama jacaré Paulus, 2002 3.ed. 2007 40 pp. Na capa, um jacaré já se torce e contorce — será que faz ioga, está plantando bananeira? Em que fria vai se meter o jacaré acrobata, quando a história começar? Em seu quarto livro de imagem narrativo, Graça Lima nos leva para um banhado especial, às cinco horas da matina. No interior de uma bromélia, desperta a borboleta de asas amarelas, enquanto ainda dormem a lagarta e outros pequeninos insetos de seis patas ;-) é ela quem “acorda” o despertador do jacaré para fazê-lo sair do sonhos e dos lençóis de muitos peixes... Vem um pássaro-palito com uma escova de dente no bico; depois, um sapo mordomo e um mico com seu apito! Mais um dia de trabalho pela frente — o jacaré, gente, é motorista e coletivo escolar: vai carregando nas costas os filhotes dos bichos da floresta. Por isso, levanta bem cedo... E podemos imaginar que ele tenha a manhã inteira, ou o dia até tardinha, ou noite, para levar a vida como quer. Pode mesmo, jacaré? Graça Lima mobiliza diferentes recursos dos quadrinhos e do cinema para construir sua narrativa. Os planos, a cada virar de página, alternam a perspectiva e a distância do leitor em relação à cena, empregando a cor e texturas como solução de continuidade. Os movimentos do jacaré lampeiro são dados pela repetição do personagem atravessando a página, mas... Até quando ele permanecerá livre? Da ficção, Graça Lima faz um alerta contra a matança indiscriminada de animais para a fabricação de roupas, bolsas, calçados... Adeus, meu couro, pensa o jacaré, isso só pode ser um pesadelo!!! Mas a gente sabe que, mesmo séria, Graça Lima faz graça. |
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