Dave Santana O pequeno crocodilo Global, 2008 32 pp. Não sei dizer em quê um crocodilo é diferente de um jacaré. Os especialistas afirmam que basta chegar bem perto para descobrir... E pedir que dêem um sorriso, pois o negócio é verificar se os seus dentes ficam aparentes ou não, quando estão de boca fechada — mas, seja cauteloso e permaneça do lado de fora! Pois bem: Dave Santana traz um pequeno crocodilo, de uma grande selva. Seu nome é Francis e ele nasceu com uma fome gigantesca — porém, a lei da selva é bastante clara: que cada um cuide de sua própria refeição! E, lá vai Francis, atrás de seu sonho de consumo e vai vendo passar um peixe do lago, um avestruz, um rinoceronte, um elefante... Ele só pensa no dia em que crescer o suficiente para devorar todo esse banquete que a própria natureza oferece — mas, por ora, impossível de um crocodilozinho pegar! Quer o destino que Francis encontre um ovo — e, digamos, assim do seu tamanho e não seria uma tarefa muito difícil sentar sobre ele para chocá-lo. Só precisaria de paciência... Em seu trabalho de estréia como autor da história e das ilustrações, Dave Santana já oferece um cardápio elástico da criação palavra&imagem, ainda que exceda em detalhes no uso do código verbal. A narrativa possui três segmentos demarcados, logo após a introdução do conflito “existencial” do pequeno crocodilo. Uma estrutura em lengalenga assinala a aproximação de Francis com os animais que não cairiam bem em sua dieta: sem nomeá-los, o crocodilo enumera uma característica (pernas compridas e apetitosa, gordos de chifres pontudos, de nariz engraçado) e aponta-os com pronomes demonstrativos; é a ilustração que assume a função referencial de mostrar um por um. A seqüência de páginas que narra o cuidado e a paciência do crocodilo, sentado sobre o ovo, evidencia uma das propriedades do picture-book em transformar a voz do narrador em reticências e dar todo colorido da passagem do tempo nas ilustrações. Quando a casca do ovo começa a romper e vem surgir um novo personagem, dominam a linguagem e o espaço da tradição cartunista, com suas caras e bocas, a página com fundo branco, personagens em ações contíguas e maior dose de teatralidade. É o clímax da história? Certamente — e o final faz jus à idéia de que há sempre alguém menor que a gente mesmo ;-) |
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