Pedro Pingüim 
 Jo Rigg & Simon Mugford


Jo Rigg &
Simon Mugford
Pedro Pingüim

DCL, 2008
20 pp.

Cansado de ser preto e branco só, Pedro Pingüim está em plena crise de identidade! Ele vê então um arco-íris e pensa na possibilidade de ser vermelho como uma raposa, alaranjado feito um orangotango professor de tango, ou como um leão amarelo, um jacaré verde, uma baleia azul, uma borboleta violeta, ou rosa estridente como um flamingo... Aparecem então um texugo, um panda e uma zebra que convencem Pedro Pingüim a ser preto, branco & contente.

Com letras de diferentes tamanhos e coloridas, frases rimadas que saem dançando por todas as páginas, o livro-brinquedo de Jo Rigg e Simon Mugford traz uma rápida fábula em ritmo de lengalenga e uma lição muito clara: “Ser você mesmo é muito mais legal!”. Em meio à diversidade reinante, os animais que aí comparecem em cores fortes, também possuem um detalhe com aplicação de pelúcia, plástico texturizado, papelão sanfonado, camurça ou tecido brocado e brilhante. De fato, este é um livro para ler com os olhos... e com os dedos! Com os dedos?



 Mila Mimosa 
 Camilla Moody

Camilla Moody
Mila Mimosa

DCL, 2008
20 pp.

Malhada de manchas vermelhas, Mila Mimosa convida o pequeno leitor a procurar seus amigos pela fazenda — o porco, o cabrito, o pintinho... Porém, quem vamos encontrar são bichos muito diferentes: um elefante cor-de-rosa, zebras de listras coloridas, um panda com pintas verdes e azuis (realmente, deve estar passando mal), uma joaninha de botas amarelinhas... Onde se viu tanto bicho louco assim? E o mais incrível: peixes com pêlo e mãozinhas! Caramba!

Com igual estrutura de lengalenga, o jogo de procurar os animais completa-se com os recursos táteis do livro e o bordão “O que tem neste buraco?” Contudo, é preciso salientar que as perguntas — será a orelha do porco, o nariz do cavalo, lã de ovelha ou penas macias de pato? —, as texturas e os animais que vão sendo descobertos nunca coincidem, num grande divertimento. No final da aventura, as páginas se abrem como as portas de um celeiro — e todos os amigos de Mila Mimosa estão lá.


Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



E aí?

 Rainbow Rob
 Rainbow Rob
Nunca é demais lembrar que ainda são poucos os comentários a respeito dos livros-brinquedos e que, por isso mesmo, acabam ocupando lugar incerto nos estudos de literatura infantil. Há quem os veja sinceramente como objetos de formação de leitores, ou apenas como brinquedos que imitam livros em uma apresentação extravagante para o entretenimento dos sentidos: ótimos para ocupar o tempo das crianças! São também produtos do design, nos quais se investe alguma sorte de função doméstico-pedagógica.

A crítica da Children Web Mag a respeito de Pedro Pingüim — ou melhor, Rainbow Rob — não é das mais favoráveis: relaciona a baixa qualidade dos versos contra a intensidade de desenhos brilhantes, num livro que vai na onda dos apresentadores dos programas de televisão para crianças, pulando feito uns malucos e achando-se muito engraçados e divertidos...

Ora, não seriam os próprios pais e professores que partem à defesa do livro-brinquedo? Leitura, alegria, texturas, desenhos fofos, supercores, descobertas — o que mais se poderia querer? E quem se importa se os autores não tem biografia nenhuma por toda Internet? Novatos ou inexistentes? Mas, nem tanto ao mar, nem tanto a terra, vale dizer: a tradução para a língua portuguesa conseguiu efeitos interessantes, explorando rimas ricas e tonantes, até. E como gosto-que-me-enrosco sempre dum trocadilho, por que não ouvir dentro do nome de Camilla Moody, a Mila Mimosa mugir?



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