Rosinha Campos Branca Paulinas, 2004 24 pp. Na ponta da pedra, Branca, a ovelha — é esta a primeira apresentação da personagem, neste livro de imagem narrativo de Rosinha Campos. E o lugar deve ser alto, tamanha a concentração da redondinha: os olhinhos quase envesgando para baixo. Será que ela pretende pular? Como e por quê? Os leitores devem estar lembrados daquela outra ovelha que se chamava Maria e se meteu numa enrascada, no tempo em que não seguia o que queria o seu pé... Mas, aqui, os caminhos são outros, logo veremos. Ao modo de folhas de guarda, a contracapa interna e a primeira página são ambas tingidas de rosa ao fundo: de um lado, nuvens como se passeando pelo céu; do outro, Branca aconchegada em cima da dedicatória do livro. As volutas de nuvem e o emaranhado de lã alimentam a comparação — ovelhas são como nuvens, nuvens são ovelhas no rebanho do alto céu — e já é possível predizer a história, ou não? Passando a página, pássaros atravessam a folha de rosto — e continuam voando na primeira dupla-página que abre a narrativa visual. Pássaros vão passando e Branca, no chão, no chão, no chão... Ao entrar no terceiro “quadro” do livro de imagem, descobrimos três saltos: no fio da narrativa, na ação da personagem e no modo de como ler as duplas-páginas. A paisagem é uma só. No lado esquerdo, Branca se lança para o alto com as orelhas abertas; no lado esquerdo, Branca se esborracha no chão, no chão... O trajeto do olhar-leitor é o rastro que a ovelha desenha pelo ar, cada imagem de Branca é um tempo diferente de sua ação. Há, pois, um antes e um depois que é preciso aí apre(e)nder. Porque depois... Depois, Rosinha Campos vai completando a paisagem no campo das páginas com momentos “durantes” dos curtos vôos da ovelha branquinha. E a danada vai tentar de tudo, vai subindo, subindo... E, nem é preciso completar a seqüência de imagens, para saber que a personagem vai sempre se acabar... no chão. Ou não? Esta é uma história de persistência, humor — e uma poesia solta, sugerida no ar. O leitor há de encontrar novamente a cena da capa. O que acontece(rá) depois, o que é? É magia, é sonho ou outra forma de realização? |
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