Maria José Silveira Uma aventura misteriosa contada a dois ouvintes atentos Girafinha, 2008 80 pp. O poeta John Livingstone Lowes nos ensinou que bastaria pegar uma palavra de um velho conto e somar a mais outra, para que tivéssemos, então, mais que duas palavras apenas justapostas, mas um som ou uma estrela. E esse procedimento tão resumidamente descrito cai com uma luva no bem encaixo texto de Maria José Silveira. O conto-novo apoiado em uma velha estrutura para contar as aventuras de Eumesma e Eumesmo — que partem de casa rumo a Montanha Dourada a fim de buscar a planta mágica capaz de salvar a vida do irmão menor de ambos, Eletambém. Já os nomes dos pequenos heróis ap(r)ontam o jogo de limites tênues, cintilando ambigüidade entre os personagens e a voz que narra, de uma frase a outra, quando narra — “Eumesma sentiu que podia chegar mais perto. Chegou.”, ou — “Eumesmo foi ficando desesperado.” Lúdicos também são os nomes de outros personagens que acompanham os dois irmãos nessa caminhada de aprendizagens e magia, como o Cavalo Verde-Claro da Moça Perfeita que morava na Casa Amarela Cor de Gema, a Fada Nem Boa Nem Má que eles encontram pelo caminho, ou o temível arquiinimigo, sempre próximo, Se Correr O Bicho Pega, Se Ficar O Bicho Come... O texto, leve e enxuto para ser lido em voz alta, principalmente, apresenta muitas imagens boas de ver, descritas com simplicidade e muito coloridas — e, talvez, não seja à toa que a edição seja um livro só-texto, para cada leitor propor um traçado em sua imaginação. O conto celebra ainda o encontro da voz-que-narra com seus ouvintes-leitores, personagens atentos ao fio da história, ajudando a desenrolá-lo: trata-se de Florzinha de Maracujá e Pé-de-Moleque, convidados a tomar parte da comunicação narrativa desde as primeiras linhas. De maneira bastante vívida, o texto encena não só uma narrativa mágica, mas a própria magia da narração. Entre sons e estrelas. |
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