As histórias de Marina 
 Cláudia Vasconcellos



Cláudia Vasconcellos,
Odilon Moraes e Paula Astiz
As histórias de Marina

Global, 2007
48 pp.


Um livro novo com
charme dos tempos antigos — qual o segredo? As aquarelas de Odilon Moraes, as histórias que Cláudia Vasconcellos inventou a partir das ilustrações, ou o projeto gráfico de Paula Astiz, acomodando com muita clareza essa casa
do pensamento e da visão que chamamos livro?

Da capa à página de rosto, as idéias principiam viajar
entre o presente e o passado — é a luminária moderna de braço articulado e lâmpada cumprida na escrivaninha de uma escritora com seu pijama listrado, na mão, talvez, uma esferográfica... É o lampião bojudo ao lado de cadernos, a pena vermelha e o vidro de tinta nanquim... As primeiras linhas são abertas pelo “Muito prazer” da autora-narradora — Marina, nove anos — nos perguntando:


« Está vendo este menino
aí do lado? É o meu avô.
Você acha impossível ter
um avô tão novinho? Mas este é o meu avô quando era pequeno. Ele adorava ler. »

Marina também adora ler. E é
um gosto tão grande e gostoso que ela acabou tendo vontade de escrever — e este livro traz suas histórias do tempo que passou há pouco, sobre os amigos, vizinhos, primos, o irmão e sobre si mesma. São nove contos com sabor de crônica que trazem o silêncio e o encantamento das dobras da infância.



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Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura


« ...os adultos vivem com saudades da infância. Meu pai, por exemplo, quando fala da infância dele, até revira os olhos como se estivesse sonhando e diz assim: “Que tempos maravilhosos!”. Como se na infância tudo fosse perfeito. Mas eu que sou criança, sei muito bem que ser criança não é estar todo dia no parque de diversão [...] Quem pensa que criança é um tipo de bicho de pelúcia que é o tempo todo e fofo se engana. Eu, às vezes, já de manhã, me levanto bem brava... »

Há um vôo feliz para sempre na história de Ivan, coração de passarinho, uma sabedoria que Marina não sabe de onde vem, mas distrai a reflexão de todos com uma bola de cristal, um jeito de dormir tranqüilo com o Espanta-Medo que o irmão inventa, um presente de trufas para o fiel Bigode, entre outros jeitos de ser feliz...

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