Ana Terra Sai pra lá! Larousse, 2008 32 pp. A rotação de Ana Terra é o humor, numa órbita de muita graça com desenhos, colagens, selos, texturas, fotografias e linhas fininhas que se enovelam no corpo de Clara, Branca, Neve e Albina — as quatro ovelhas que viviam “calmamente” numa fazenda, sob o faro vigilante de um cão pastor, exibindo, vaidosas, a bela e sedosa lã diante dos outros animais. E como não param quietas, Ana Terra inventa de desenhar Branca correndo de patins, Albina dançando com os pintinhos amarelinhos, Neve no alto de um monociclo e Clara num frevo só. Ou seria Albina correndo, Clara se equilibrando, Branca num break-dance e Neve num frevo só? Que importa, se elas são tão (a)-parecidinhas! Mas, numa manhã, “algo terrível aconteceu” — diz o narrador, e o livro mostra as ovelhinhas na função em volta de uma lagoa, azul e redonda: uma delas ensaboa o sovaco, a outra lê seu manual de comida dietética, a terceira nem ainda pôs a isca no anzol, quando dá o alarme: — Clara sumiu! E é assim, jogando com pequenas frases e a ilustração que Ana Terra, numa leitura que deve ziguezaguear pela página, introduz o primeiro conflito deste novelo de ovelhas... Todos os animais ajudam a encontrar Clara, claro, mas ela agora está totalmente nua, rosada e tremeliquenta. Assim, descoberta, ninguém se agüenta e toda a fazenda cai numa gargalhada só. Sai pra lá, ô pelada! Até que... Albina desaparece! É brincando com as expectativas do pequeno leitor — afinal, o que ou quem tem roubado a maravilhosa e macia lã das quatro magricelinhas? —, que Ana Terra vai mostrando que, apesar de tão parecidas, Clara, Branca, Albina e Neve nunca foram iguaizinhas. Tem uma que tem manchinha na pele, a outra, perna fina, e mais outra (que horror!) usa calcinha de elanca e apenas uma delas sabe cantar... E o bom de tudo isso é que agora não tem mais história de sai-pra-lá e elas vão se juntando novamente, porque não dá para ser o mesmo quarteto sem Clara. Mesmo depois que o mistério das ovelhas peladinhas é resolvido, elas continuam inventando moda pela fazenda — e a última dupla-página do livro põe à prova o bom humor de Clara, Albina, Neve, Branca e Ana Terra ;-) |
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