Ivan Jaf O menino que caiu no buraco il. Cris Eich & Jean-Claude Edições SM, 2004 120 pp. Um livro com poucas personagens, todas sem nome. Desinteressante? De forma alguma. A história é um retrato de uma situação — de uma vida — específica, mas tão ampla que todo leitor pode se identificar com ela. O menino, o que caiu em um buraco, tem uma vida simples. A mãe lava e passa roupa de turistas que vão a passeio em sítios vizinhos: é ela quem sustenta a casa. O pai, depois de um longo período desempregado, entra em depressão — apesar de o menino não entender direito porque o pai não consegue sair da cama. Durante uma ida à escola e após um pequeno desvio de caminho, o menino chega a um forno antigo e abandonado. Com medo de um animal estranho no pasto, o menino cai em um buraco. Como sair dali é uma de suas primeiras preocupações. Ele tenta, mas finalmente aceita que está preso em um buraco no meio de um pasto deserto. O que fazer? Frustrado, inicia uma série de reflexões sobre seus 13 anos de existência, que é o momento mais interessante do livro. Suas preocupações, seus desejos reprimidos e seus medos vêm à superfície, mostrando ao leitor um menino carinhoso, humano e muito preocupado com seus pais. Ivan Jaf consegue apresentar níveis da preocupação infantil, sem, no entanto, infantilizá-las. Ao mesmo tempo, a narrativa aproxima o menino dos leitores (estes de qualquer idade). As ilustrações de Cris Eich e Jean-Claude são bem produzidas, e pode-se perceber nos desenhos as emoções do menino naquele instante. Para terminar, o final emociona dos mais pequeninos aos mais velhos, mesmo sendo completamente previsível. |
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Ivan Jaf O menino que caiu no buraco il. Cris Eich & Jean-Claude Edições SM, 2004 120 pp. O menino que caiu no buraco, de Ivan Jaff, é um texto que foge daquelas soluções fáceis a que estamos acostumados quando nos deparamos com um livro infanto-juvenil cujo título aponta para uma trama de aventura. Todavia, a história dispensa mistérios, segredos, aventuras perigosas. O maior perigo encontra-se no próprio mergulho, ao acaso, no buraco. E mergulhar naquele buraco perdido e disfarçado no meio de um campo que não promete riscos é metáfora da adolescência, tanto que o autor opta por não denominar seu personagem, chamando-o apenas de menino, o que contribui para a universalização da narrativa. Adolescer é adoecer, é buscar possibilidade de compreensão de si mesmo, é conflituar-se. Isto é o que ocorre na aventura do menino no interior do buraco. Buraco quase poço, com poucas possibilidades de libertação, sem espaço sequer para que o corpo possa descansar de forma cômoda, sem chance de que um grito possa atrair salvação. O menino está no interior da terra, sofre, machuca-se em sua luta para atingir a abertura do buraco, por onde observa o tempo passar, o sol se pôr, a noite vir. Precisa enfrentar seus medos e descobrir, sozinho, uma forma de voltar à tona, de emergir da própria terra, como se tivesse de realizar um novo parto. Terra, ventre original. E, utilizando apenas o material de que dispõe, o menino escalará as paredes do buraco, não sem antes machucar-se, não sem antes repensar a relação paterna. Estar no buraco é ocasião para amadurecimento. Assim, ao sair, vai ao encontro do pai e consegue estabelecer nova relação. | |||
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