Amendoim 
 Eva Furnari
 Filó e Marieta 
 Eva Furnari
 Zuza e Arquimedes 
 Eva Furnari

Eva Furnari

Amendoim

Filó e Marieta

Zuza e Arquimedes

Série "Amendoim"
Paulinas, 1983
24 pp.

Como os primeiros filmes do cinema mudo, Eva Furnari inventa cenas bem humoradas com personagens de fácil reconhecimento e apelo junto aos leitores. Abrindo os livros, encontramos sempre um "letreiro" que dá início à projeção de imagens
e o olhar-câmera da artista posiciona-nos diante dos acontecimentos, como dentro de um teatro de variedades, ou teatro de revista.
Assim começou o cinema, assim começaram nossos livros de imagem: com números engraçados que são mímica, pantomina ou leves sketches. E, claro, jamais dispensando um saboroso truque de mágica...

Amendoim
A apresentação do palhaço Amendoim estaria perfeita,
se não fosse uns probleminhas técnicos nos bastidores, hã? Ele entra em cena, já na capa do livro, braços abertos
para o público. Ação contínua, ele cumprimenta e levanta o chapéu-coco para todos, mas coisas estranhas já começam

 
a acontecer. Um anzol pendendo do alto — e zapt, zupt, zão, tudo vai desaparecendo...
É surpresa verdadeira, ou pura combinação circense? Tão logo, vamos querendo saber quem é dono dessa divertida pescaria!

Filó e Marieta
Filó e Marieta esbanjam simpatia e folia num dia de aniversário — ou seria mais um feliz desaniversário que temos em 364 dias para comemorar? Não importa,
o engraçado mesmo é que muitas crianças já sabem que elas são duas bruxas velhotas. E como sabem?
Elas respondem que é por causa do sapato de bico de fino, porque se vestem à antiga, e jamais são tão indiscretos a ponto de apontar o nariz pontudo alheio! Curiosidades à parte, as confusões começam com a descoberta da varinha-de-condão e todo mundo pensa que Filó é mais sabida e
Marieta... completamente lelé! Por que será?

Zuza e Arquimedes
Todo baú tem um tesouro, certo? Mas, quando é aberto por Eva Furnari, cuidado, tem travessura na certa... Assim,
os passantes distraídos vão se assustando toda vez que chegam perto do baú "esquecido" no canto da cena. Neste livro de imagem, a narrativa é corre-corre, pega-pega,
um sai-da-frente-que-eu-tenho-medo... mas tudo é jogo, fake, truque. Ou não? Tem alguém que poderia pregar uma peça nos endiabrados Zuza e Arquimedes? Uma peça, digo já, de igual magia e brincadeira, pois tem moralistas soltos por aí que sempre conseguem tirar uma lição útil de todo esse divertimento. Desperdício de tempo, que bobagem ;-)

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura


1º livro de imagem narrativo brasileiro foi editado... na Holanda!
Desenhado em 1969, esperaria seis anos para chegar às mãos do leitor em uma co-edição alemã-holandesa. Por aqui, seria impresso em 1976. A obra de Juarez Machado, nos vários países por onde deixou suas pegadas, recebeu diferentes títulos, uns mais criativos, outros nem tanto. Com vocês,
Voet stappen, een onzichtbaar aventur,
na Holanda: pegadas, uma aventura invisível.
Warum einer basfuss: komm und dann passiert, na Alemanha: eis uma pegada, "entre" e siga adiante. Ou apenas:
uma aventura invisível,
na França e na Itália.
Na década de 1980, inicialmente Eva Furnari
e, depois, Angela Lago destacaram-se como criadoras do livro de imagem narrativo ;-)

Ver para comparar



Georges Méliès faz truque de mágica e cinema, em 1904: Les Cartes Vivantes

Outros livros de
Eva Furnari
na Vitrine Literária


P.S. As idéias, aqui rapidamente esboçadas, integram uma seqüência de comentários a respeito de livros de imagem narrativos e livros ilustrados de literatura, em destaque na Vitrine Literária de Dobras da Leitura - Edição 54, e relacionam-se, de algum modo, à pesquisa desenvolvida na tese Imagens&enigmas na literatura para crianças (USP, 2008). Os títulos apresentados no site não constam do corpus analisado, mas exemplificam como se dá a interação palavra&imagem com as demais séries de linguagem visual oferecidas pelas mídias, nas quais o olhar do artista imerge.

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