Uma armadilha para Ifigênia 
 Évelyne Brisou-Pellen



Évelyne Brisou-Pellen
Uma armadilha para Ifigênia

trad. Eliane Jover
capa Odilon Moraes
Edições SM, 2006
112 pp.


A grande verdade é
que, quanto mais maduro o leitor, melhor se torna qualquer obra. Antes de ler
Uma armadilha para Ifigênia, partilhava da opinião quase unânime de que Ifigênia era uma das criaturas mais patéticas de todas as mulheres de Atenas da mitologia grega. Talvez porque, até então, visse a história de uma maneira
mais simplista, fruto de uma leitura digamos superficial.

Esta é a história da caçula do rei Agamenon e Clitemnestra, que saiu em viagem
para conhecer o homem a quem havia sido prometida —
o belo Aquiles. Mas, em meio às eternas simbologias das viagens sempre presentes na literatura grega, Ifigênia descobre que não haverá casamento algum, pois seu próprio pai a prometera imolar em sacrifício à Ártemis, para que a deusa assim propiciasse os bons ventos necessários para impulsionar a gloriosa frota grega, desde a ilha de Áulide até as praias troianas. Na recriação de Évelyne Brisou-Pellen, esta história dramática torna-se mais viva e mais envolvente.

Atendendo ao que é sugerido,
no roteiro de leitura da edição, fui ler a versão teatral da mesma história. O texto de Eurípides não busca a “ordem do mundo” e apresenta os heróis mais próximos da realidade do seu tempo. Foi aí que me senti apaixonado pelo texto da autora francesa que soube entender como as tragédias das mulheres de Atenas oferecem brados retumbantes contra a loucura da guerra, em que os vencedores sofrem tanto quanto (ou mais) que os vencidos. Uma pena que o cinema moderno, no filme Tróia, cometeu o deslize de não citar o desvario de Agamenon, que lhe custou a morte, assassinado pela própria esposa. Até por isso, a leitura aqui se torna ainda mais necessária, pois o livro vem corrigir esta grande injustiça — ou seja, seria impossível contar a “história” da Guerra de Tróia sem evidenciar, dentre seus inúmeros personagens femininos, o mito de Ifigênia.

Comentários de
Orlando Dionísio Ribeiro Filho
Votuporanga SP



Orlando é professor
e foi o vencedor da
8ª semana do Concurso Palavra do Leitor, promovido por
Dobras da Leitura com o apoio de Edições SM.




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