Tereza Yamashita e Luiz Bras Nosso gato desbotado il. Graça Lima Callis, 2006 24 pp. Os olhos vivos do gato rodando no corredor, uma menina cosendo histórias com a linha de um refrão — Sansão, Sansão, Sansão, viva o rei da confusão! E os vizinhos perguntando onde é que já se viu um gatinho com nome bonito de herói cabeludão... Nem ele nem ela estão aí para as conversas e saem do elevador para passear na rua: a menina mais Sansão, enfiado em uma coleira azul com pedrinhas de strass — que combina tão bem com o azul dos olhos desse gatão, que é pequeno só no tamanho, não na hora de arrumar confusão. Sansão não tem Dalila, nem botas — por isso, é um gato desbotado que adora banho e dorme de pijama com estampa de ursinho. E é também um bichano folgado: come e dorme em frente à televisão, um folgato. Mas... Que ninguém mexa com ele: o gato vira estátua, vira leão, agarra a perna mais próxima com suas unhas afiadas — e lá fica um arranhão. Tereza Yamashita e Luiz Bras escrevem um curto relato a respeito do convívio com um animal de estimação, em um exíguo cenário urbano em que a liberdade felina é substituída por outras formas de felicidade e conforto. Narrado pela dona do gato, uma menina, o texto enumera situações em que se evidenciam os cuidados necessários para que o gatinho mantenha-se afastado dos perigos — exceção feita quando Sansão é deixado com a madrinha distraída e aí, sim, ele dá suas escapadas entre antenas e as encostas dos prédios, janela afora, como sugere a ilustração. As imagens de Graça Lima trazem sempre cor na cor da cidade, chamando atenção pelo alto contraste página a página e assim isolando cada episódio familiar. A ilustradora também tornou Sansão mais “pessoalizado” com imensos olhos azuis, sempre brilhantes e realmente chega a dar ao gato um estatuto de personagem antropomorfizado na cena em que aparece dentro de uma banheira como que acenando para o leitor. |
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