Socorro Acioli O peixinho de pedra il. Ronaldo Almeida Ed. Demócrito Rocha, 2006 32 pp. O sertão vai virar mar, canta a velha lenda embalando as ondas de sonho que levam Ana Vitória para longe. E, em sonhos, também seu avô, o velho Sebastião, segue adiante — em um barco, levando quatro baús de couro com seus segredos, até o ponto em que o céu gira o dia para receber a escuridão e a lua. Enquanto sonham, avô e neta vivem bem no meio do sertão do Cariri, ao sul do Ceará, em uma casa de taipa, sem energia elétrica, sem água encanada... Há muito tempo, Sebastião moço encontrou a prova de que o solo seco que tão bem conhecia já fora, um dia, o fundo do mar. O cordel não mentia — e um peixinho ali estava, incrustado na pedra, inteiro, da cabeça até o rabo. O homem guardou consigo aquele pedaço de rocha, o primeiro de muitos que encontraria durante o trabalho nas duras serras do sertão. No entanto, o que ninguém nunca soube era que Sebastião guardava e conversava com seus peixinhos de pedra, prometendo comprar um barco para levá-los até o mar. Até o dia em que é chegada a hora de compartilhar seu tesouro com a neta e a magia do cordel redobra-se em uma nova esperança. Com maior apego ao sentimento realista do que à fantasia, Socorro Acioli confronta os sonhos do avô e neta com a necessidade de preservação e estudo dos fósseis do sertão do Cariri, um patrimônio histórico-científico que atesta a existência do mar nesta região, no período Cretáceo, ou seja, há mais de 110 milhões de anos. Ana Vitória logo compreende que manter guardados as bonitas pedras com peixes é um crime passível de punição e resta contar ao velho Sebastião para, juntos, decidirem o que fazer. No entanto, a autora estende o relato por mais uns dias e uma viagem, arrematando a realidade com a realização de um pequeno e peixoso milagre. |
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