O monstro monstruoso
 da caverna cavernosa 
 Rosana Rios



Rosana Rios
O monstro monstruoso
da caverna cavernosa


il. André Neves
DCL, 2004
32 pp.


Ora bolas, bolas, bolas...
Por essa, certamente,
o Monstro Monstruoso não esperava: uma legítima cobrança da Associação Associada dos Monstros Monstruosos para cumprir o compromisso que têm todos os associados — devorar princesas! Mas, tem aí um probleminha.
Aliás, dois... Três, para dizer a verdade. Primeiro:
o Monstro Monstruoso detesta o sabor de carne de princesa, prefere muito mais um sorvete de chocolate. Segundo:
princesas não nascem em árvores e ele mal imagina como arranjar uma pelos lados de sua Caverna Cavernosa.
Por fim, se não cumprir a obrigação, será expulso da Associação Associada e logo todos saberão — as fofocas correm monstruosamente depressa — para a vergonha, consternação e desonra de sua monstruosa família!


Publicado em 1992 com
a colaboração de Daisy Startari, o texto de Rosana Rios retorna às mãos dos leitores, em
uma nova edição mais colorida
e ilustrada por André Neves.
O Monstro Monstruoso, com seu duplo nariz e suas seis orelhas, passou da forma humana para ganhar a massa corpórea de uma montanha azul esverdeada, com algumas pintas brancas pelo corpo e olhos cor de fogo. Mas, continua muito simpático com todos os duzentos e dezenove dentes, recebendo a visita esporádica do carteiro ou convivendo — quem diria? —
com uma Princesa Principesca e um Príncipe Principiante.

A autora escolheu, para dar nome a seus personagens, um recurso de linguagem bastante comum à literatura infantil, mas pouco descrito pelos manuais e apostilas de estilística — a agnominação, que muitos andam confundindo ainda
com a paronomásia, porque pertence à classe bem humorada dos trocadilhos. Mas em vez da proximidade de duas palavras sonora ou graficamente semelhantes, porém com sentidos que se divergem, a agnominação brinca com palavras
de uma mesma raiz etimológica a fim de reforçar, iluminar ou simplesmente fazer graça com um caráter comum a elas...

Para saber como os três personagens se encontram
e o que aprontarão juntos, só mesmo lendo a irreverente história de Rosana Rios. Com bom humor, ela questiona
os papéis definidos pelas convenções — quer sejam
em relação aos contos de fadas tradicionais, no nível
da narrativa, ou às regras sociais, em uma segunda leitura — demonstrando ser possível fazer as coisas de que se gosta e ser feliz, sem deixar-se enquadrar nas expectativas alheias.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura






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