Rosana Rios O monstro monstruoso da caverna cavernosa il. André Neves DCL, 2004 32 pp. Ora bolas, bolas, bolas... Por essa, certamente, o Monstro Monstruoso não esperava: uma legítima cobrança da Associação Associada dos Monstros Monstruosos para cumprir o compromisso que têm todos os associados — devorar princesas! Mas, tem aí um probleminha. Aliás, dois... Três, para dizer a verdade. Primeiro: o Monstro Monstruoso detesta o sabor de carne de princesa, prefere muito mais um sorvete de chocolate. Segundo: princesas não nascem em árvores e ele mal imagina como arranjar uma pelos lados de sua Caverna Cavernosa. Por fim, se não cumprir a obrigação, será expulso da Associação Associada e logo todos saberão — as fofocas correm monstruosamente depressa — para a vergonha, consternação e desonra de sua monstruosa família!
a colaboração de Daisy Startari, o texto de Rosana Rios retorna às mãos dos leitores, em uma nova edição mais colorida e ilustrada por André Neves. O Monstro Monstruoso, com seu duplo nariz e suas seis orelhas, passou da forma humana para ganhar a massa corpórea de uma montanha azul esverdeada, com algumas pintas brancas pelo corpo e olhos cor de fogo. Mas, continua muito simpático com todos os duzentos e dezenove dentes, recebendo a visita esporádica do carteiro ou convivendo — quem diria? — com uma Princesa Principesca e um Príncipe Principiante. A autora escolheu, para dar nome a seus personagens, um recurso de linguagem bastante comum à literatura infantil, mas pouco descrito pelos manuais e apostilas de estilística — a agnominação, que muitos andam confundindo ainda com a paronomásia, porque pertence à classe bem humorada dos trocadilhos. Mas em vez da proximidade de duas palavras sonora ou graficamente semelhantes, porém com sentidos que se divergem, a agnominação brinca com palavras de uma mesma raiz etimológica a fim de reforçar, iluminar ou simplesmente fazer graça com um caráter comum a elas... Para saber como os três personagens se encontram e o que aprontarão juntos, só mesmo lendo a irreverente história de Rosana Rios. Com bom humor, ela questiona os papéis definidos pelas convenções — quer sejam em relação aos contos de fadas tradicionais, no nível da narrativa, ou às regras sociais, em uma segunda leitura — demonstrando ser possível fazer as coisas de que se gosta e ser feliz, sem deixar-se enquadrar nas expectativas alheias. |
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