Marina Colasanti A menina Arco-Íris il. da autora 5.ed. Global, 2007 32 pp. Haveria, no fundo de uma xícara de leite, um mundo totalmente homogêneo, sem as cores que azulam o céu, verdejam o tapete dos pastos ou ruborizam as maçãs. Haveria um mundo distante, no fundo de uma xícara de leite, a ser descoberto por Virgínia, logo à primeira hora do dia. Pura distração ou qualquer outro mistério — Virgínia, de repente, caiu em sua xícara de leite. Lá, onde não se vê cidade alguma e caminho nenhum, Virginia espera em silêncio, imaginando montanhas e nuvens que poderia divisar... Ouve, então, um leve bater de sinetas caminhando em sua direção — aparece manso um carneiro, depois outro e ainda mais um. “Em todos, a mesma lã. Cacheada nos dorsos e patas, tecida na roupa. Mas branca igual.” Seguindo-os, um pastor que jamais vira uma menina como Virgínia: cabelos louros, lábios cor de beijo, roupas em azul, verde claro, verde escuro e tudo mais colorido — uma menina arco-íris que vinha alegrar sua vida. A narrativa, publicada originalmente em 1984, inscreve-se na série de contos simbólicos de temática feminina que trouxeram Marina Colasanti à literatura para crianças e jovens (de todas as idades). Religando o cotidiano urbano à aurora de uma idéia toda branca, a menina arco-íris enreda-se por um labirinto de leite, transformando a monotonia de uma só cor na vida de uma pequena aldeia e chamando à alegria o pintor de paredes, a lavadeira, o varredor, a rendeira, a doceira, o pipoqueiro, o moleiro — até que o calor de um novo sol derreta e faça transbordar outro branco na conhecida paisagem. Acompanhando o conto, as ilustrações foram feitas pela própria autora. Sempre em aquarela e ângulos pronunciados, o contorno à antiga no rosto e no corpo das personagens, como se viessem, à página, humanas miniaturas de madeira. |
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