Eloí Elisabet Bocheco Gaitinha tocou, bicharada dançou il. Mari Ines Piekas Paulinas, 2007 32 pp. Cantigas do folclore e canções que tocavam no rádio no tempo dos lampiões, toca a bruxinha Elisa em sua gaita. Mas, foi vento ou distração? Lá vai a gaitinha por chão... E cai na touceira da cobra que não se desdobra, mas desenrola-se toda assanhada para cantar e dançar o maçanico. Mesmo assim, quem disse que ela arruma namorado? O que ela quer agora é música com versinho recortado. E canta uma, canta duas, canta quantas nem sei, até que a bruxa se cansa e vai embora. Vai nada: a cobra levada pegou de volta a gaitinha e só devolve, fazendo negócio. Na quarta e última história da bruxinha Elisa que Eloí criou, a cobra criada cobra o preço de três romãs. Vai Elisa pela mata e pisa no rabo de uma escada — E escada lá tem rabo? Atenção para os degraus que vão mudando de cor... E, depois, tem a brincadeira do meu bule, minha caçarola, minha tigela e meu pé de marmelo. Nada disso parece fazer sentido, mas faz poesia... Juntando a espontaneidade dos brinquedos falados com sua pitada de non-sense, Eloí Elisabet Bocheco faz uma narrativa para os mais pequeninos pegarem encanto pela palavra. A lúdica e breve tetralogia da bruxinha Elisa encerra uma concha de plantas e bichos guardados num'alma que muito quer se divertir pelas matas e ribeiros brasileiros, apesar dos traços claros, do vestidinho comprido e do chapéu pontudo com que a personagem se mostra nas ilustrações — Elisa é, no fundo, no fundo, uma florzinha brejeira com ânimos de saci solícito ;-)
|
| ||||
|